Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!






"Não é feio voltar atrás em decisões
Feio é sustentá-las no orgulho."

(J.L.)



Ah saudade
Que fica dentro deste peito
Que chora no leito
Que lembra todo feito

Ah saudade
De ti nem endereço
De mim me perco
De nós não esqueço

Ah saudade
Para muito além de mim
Para uma ausência sem fim
Para o amor tão longe assim

Ah saudade
Sem saber como expressar
Sem saber o que falar
Sem saber como parar

Ah saudade
Só tu aqui num alarde
Só o aperto, que crueldade
Só tu, minha saudade!


(J.L.)


Por nada nem por ninguém
Eu deixaria minha caminhada
Deixaria o meu ofício e meu dom
Deixaria o meu não a Ti, Jesus

Quando me chamaste
Eu disse sim
E é o sim que ei de exclamar sempre
É a vocação para minha missão

Não, não, não
Eu não deixarei de seguir
Não deixarei de persistir
Não deixarei de acreditar

Sim, sim, sim
Que Minha Mãe Maria ensine-me
A ser fiel a Ti, a ser Cristã
Faça-se em mim!

(J.L.)



Senhor,
afasta-me da indiferença e da insensibilidade
porque elas nos afastam do próximo.

(J.L.)



"Às vezes fico pensando
Se faço poesia ou
se a poesia me faz."

(J.L.)









Eu gosto de ser assim
Tão solta, tão eu
Sem apetrechos, ou etiquetas
Limitada ao “querer agradar”

Gosto de fazer o que quero fazer
Cantar, dançar, pular
E me sentir assim
Tão livre para ser eu mesma

Não me ater a pensamentos pequenos
De medidas e comportamentos
De contenções e adequações
Gosto do leve sem restrições

E gosto do riso tão fácil
Da gargalhada expressa
Do meu eu assim
Tão simples querendo ser feliz.


(J.L)


Eu fico aqui tentando explicar
O que é bonito, o que faz bonito
O que mexe comigo
Meu jeito de amar

Eu paro e escuto a canção
Fecho os olhos e sinto tocar
A melodia e harmonia
Meu jeito de amar

É simples, é belo
É terno e voraz
É desejo profundo
É colo, é mundo

E eu tentando explicar
A parte de ti
O todo de ti
O meu jeito de amar.


(J.L.)



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.


(Luís Vaz de Camões)




" Às vezes é preciso desconhecer-se
para se conhecer um pouco mais."

(J.L.)




"Você me deixou sem mim."

(J.L.)



Quando bate a chamada tristeza
Que hora chega sem avisar
E toma meu riso
E me faz chorar

Vem do nada
E chega em algum lugar
Naquele que eu não queria lembrar
E dói

Um tormento de lembranças
Que o tempo não destrói
Que o coração remói
Num sofrer só meu

Tristeza que me invade
Cheia de saudade
Tão covarde
Dói!


(J.L.)



Metade
Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
A outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Pois metade de mim é partida
A outra metade é saudade

Que as palavras que falo
Não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa
Que resta a um homem inundado de sentimentos
Pois metade de mim é o que ouço
A outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
Que me lembro ter dado na infância
Pois metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Pois metade de mim é abrigo
A outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Pois metade de mim é plateia
A outra metade é canção
Que a minha loucura seja perdoada
Pois metade de mim é amor
E a outra metade também



"Não é que eu esteja certa por pensar mais em mim
É que eu estava errada quando não pensava em mim."

(J.L.)




Queria não está tão perto

O longe perto é uma distância incalculável

Pensar no que é

No que foi

No que pode ser

E ter, por um instante

E depois ir

Ir para bem distante

E não se medir

A intensidade

A afinidade

A presença

O toque

O beijo...


(J.L.)




" Meus pensamentos soam
como tambores eloquentes
em tempos de guerra."

(J.L.)


São teus carinhos que me envolvem

São teus beijos que me devolvem

Acalentando todo meu ser

A magia de um simples viver

Vive eu , vive você

O que não conseguimos definir

É nossa intimidade

Nosso momento de ir

Para onde vão os que se querem

Para onde vão os que se permitem

Muito além dos olhares

No aconchego dos braços

Nos laços e passos

Escutamos os sons

Da música em nosso espaço

E vivemos os tons e cores do nosso abraço.


(J.L.)




"Poesia que me resgata
Poesia que me transforma
E faz da minha vida
A rima, o verso e a prosa."

(J.L.)




E os dias do ano que se findam
Para o novo e o desconhecido
O amanhã que se fará hoje
E que somente tu poderá vivê-lo
Da forma como escolher

Dos acasos que irão acontecer
Hás também de aprender
Porém o caminho está lá
A ser seguido
A ser desbravado

Serão os desejos e sonhos que impulsionarão
Teu coração a seguir
A pequena, média ou grande felicidade
Depende sim e muito
Da forma como verá

Que o ano seja simples e intenso
Porque a simplicidade realmente nos permite enxergar
E a intensidade nos permite viver
E viver é mais que esperar os dias
Viver é fazer os dias acontecerem.


(J.L.)






" Não me importo com o que não
deu certo, eu me importo com
o que pode dar certo. "

(J.L.)




Não são os caminhos difíceis; Não são as árduas lutas ou as dificuldades que nos são apontadas; Nem a distância dos nossos sonhos que poderão nos afastar de nossos objetivos e sim a ausência da garra e explanação das metas, do primeiro passo da jornada, do olhar determinado, do coração pulsante e cheio de esperança, da entrega de si mesmo para a prosperidade desejada.

Lançar-se na batalha é acreditar no seu potencial esforçando-se ao máximo pela vitória, pois o esforço é oxigênio das expectativas.

Que não lhe falte energia!

Que não lhe falte perseverança!


(J.L.)




Ia eu e a lua
E eu não me cansava
E o tempo não existia
E as horas não passavam

A noite irmã
Já soltava-me pelas mãos
E o sol me abrasava o corpo
Queimando junto meu coração

Ia eu e os versos
Mais singelos que encontrei
E para não perder sua magia
Soltei-os no vento e apenas cantei

Querendo o bem de tudo
Olhando para mim mesmo como parte de todos
Segui meu desejo e minha esperança
Segui o meu próprio sonho

Ia eu e você também
A lua e a noite irmã e os versos
Nos despedimos depois da curva ascedente
Além do nosso universo.


(Esteban Beijamin Flores)





Nquela grande curva da existência

Segue uma longa estrada

Sou aquela busca incansável e sem medida

Da vida que quero

Quando olho para trás

Vejo todo o caminho percorrido

E o cansaço parece dominar

Porque foi difícil tal jornada

Não se sabe o que tem adiante

Fica o receio do próximo passo

Da próxima virada

O medo e receio do por vir


Afinal que sentido se pode dar?

Diante do mistério que se revela por segundos

Que caminho trilhar?

Diante dos rumos apresentados

Viver às vezes confunde

A vida tem lá seus precipícios

Que hora ou outra é preciso arriscar

Que é preciso acreditar e avançar

Não tem como se antecipar

Há acasos, escolhas e decisões

A mistura de altos e baixos

De alegrias, tristezas e aprendizagem

Lá estou eu, na curva da minha vida

Querendo não mais olhar atrás

Esquecer o que ficou...

Vou seguir sim adiante,

Mas bem lá vai ficar

Uma parte de mim...

Se não fossem as curvas

Não saberia que às vezes é preciso parar

E que também é necessário arriscar

Deixando em cada curva o que é preciso deixar.


(J.L.)





Vou escrevendo a vida

Rimando os traços passados

Vou deixando as marcas

E fazendo versos a cada passo

Deixando recordação

Imaginando mais sonhos

Sufocando algum amor

Compondo também a dor

Vou e fico em linhas

Carregadas de tantos sentimentos

Umas expostas a muitos

Outras recolhidas ao intimo

Às vezes me toma tamanha ausência

Consumindo algum talento

Que fere e é tormento

Que não escrevo e é silêncio.


(J.L.)




" Quando falo no que acredito muitos riem
porque já deixaram de acreditar,
mas eu acredito."

(J.L.)





E a verdade é que eu não quero mais nada

Só estes minutos que se dissolvem em beijos

No abraço apertado cheio de vontades

Da proximidade que temos e que nos afasta

Nenhuma promessa, nenhuma esperança

É bom assim, quando nos queremos no olhar

Quando relutamos nos dias

Quando improvisamos o acaso

E a madrugada é nossa testemunha

Quando nossa respiração falta

Quando não há palavras para tal momento

Apenas o momento

É assim quando estou contigo

Vivo cada segundo esperando mais

Um dia qualquer dá certo

E nós dois não queremos mais nada.


(J.L.)



Eu espero Jesus aqui, no meu silêncio.

Vem Senhor e traz contigo as esperanças já perdidas, traga-me a paz tão desejada, a alegria que se desfez. Espero-te aqui, em meu silêncio de filha, que sabe em depositou sua fé.

Enquanto escuto os foguetes, risos e felicitações lá fora, choro aqui. Chorar talvez seja minha forma de dizer o quanto te esperei, desejando que nascesse em mim, que minhas atitudes e pensamentos te acolham como a manjedoura, fazendo de tão simples momento um esplendor maior e assim me torne melhor do que ontem, que me ensine a ser bem melhor para meus irmãos acolhendo-os como são, compreendendo-os, quem sabe, além dos limites que eu possa acreditar que existam.

Não quero alegrias vãs e passageiras. É por isso que ponho a ler vossa escritura, a meditar os mais ocultos detalhes da narração de Teu nascimento que agora comemoramos. Deixando meu coração ser um presépio, preenchido da humildade que te rodeou, da adoração que te prestaram, dos presentes que te ofereceram, da estrela que brilhou naquele céu. Por mais que eu não entenda, quão precioso e importante é este momento, nada mais quero do que vivê-lo e buscá-lo como os Reis Magos o fizeram.

E vendo Tua estrela brilhar estou eu a dizer: Nasceu o meu Salvador!


(J.L.)



Por pior que seja um homem ninguém tem o direito de tirar-lhe a vida.

Eu sei e penso muito, muitas vezes, que, o mal que fazem devem pagar, mas daí a tirar a vida do outro eu não concordo.

Já fui vitima, já deixei a ira me aplacar, já desejei que morressem, já quis a justiça com as próprias mãos praticar. Quando sentimos dor, quando nos tiram o que amamos, que sentimentos poderíamos ter? Se não estes? Mas ainda bem que logo recriminei estas minhas atitudes e pensamentos.

Não há nada melhor que a justiça de Deus que no seu tempo Ele fará, nós que ousamos em nos sentirmos melhores que outros, mais merecedores, mas não somos mais que nenhum outro.

Tiraram uma vida ! Mais um jovem se foi... Pode até haver motivos, mas onde está a razão disto? A ira humana nos aparta da realidade de filhos de Deus. Esquecemo-nos do que somos para sermos o que não somos, para agirmos diferentemente , fora dos desígnios para o qual fomos criados.

Um jovem se foi! E quem sou eu para julgar seus erros? Eu sei que hoje sofre aquela família pelo fim, talvez premeditado e nisto não há glória. Tirar a vida de um semelhante é desassemelhar-se.

Desejo profundamente, que não nos envolvamos cada vez mais neste egoísmo que nos impede de olhar o próximo. Que finde em nós as razões e justificativas para que a caridade seja esquecida.

(J.L.)



"Não se esquece uma saudade

Não se apaga um amor."








Aqui dentro sempre chove

As nuvens densas tomam contam

De todos os cantos do coração

O sol não brilha

Aqui dentro sempre chove

E faz frio

E as lágrimas inundam o ser

É sempre inverno

Só as tempestades vigoram

Só a tristeza prevalece

Só a luz não aparece

É resto de vida à míngua

Encharcada pelas águas

Não é vida, não é mais nada.

(J.L.)



Eu gosto de falar da amizade, embora tenha tão poucas, mas neste pouco, vejo o quanto são significativas, verdadeiras e boas.

Sim, a amizade precisa ser significativa, ela é um encontro, sobretudo de identificação pessoal com o outro, o que necessariamente não quer dizer que os amigos combinam em tudo, que gostam da mesma música, do mesmo gênero de filmes ou das mesmas brincadeiras, quer dizer que antes se identificam no olhar, na presença, no respeito, mesmo que as diferenças existam. É um amor nobre, uma doação sem explicação, quando se permite dar a conhecer um pouco de nós e de ter a quem confidenciar e partilhar nossa vida.

A amizade verdadeira não tem preço, é aquela que não te esconde as incumbências, que grita quando você não quer escutar, que te aponta o erro quando você pensa ser certo, que te mostra o caminho quando você está perdido. Que não cria uma ilusão de ótica a respeito a vida, que vive bem e o bem pode te mostrar e juntos o caminho vão andar, que chorará tua dor, que rirá tuas alegrias, que comemorará tuas vitórias como se fossem suas, que a maior distancia nunca impedirá das flores crescerem no coração de cada um, porque assim é a verdade, constante, impar, florescente.

Boa por sua própria natureza, singular com um coletivo infindo, de fazer bem, de conter preciosas virtudes, somando-as ao ser de cada um, fazendo-nos melhores, ajudando-nos em nosso crescimento seja ele pessoal, espiritual, profissional.

Eu gosto de falar com meus amigos, sempre aprendo um pouco mais, embora eu tenha tão pouco tempo, não quero deixar de ter tempo para escutá-los. Amizade é o amor fraterno que nos permite compreender que jamais estaremos sós. Há sempre um amigo que vai querer sentar e conversar comigo. Graças a Deus.


(J.L.)





Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe. Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim. Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando.

Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo. Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência. Tanto mais lúdica quanto mais complexa. Tanto mais complexa quanto mais consciente.Tanto mais consciente quanto mais difícil. Tanto mais difícil quanto mais grandiosa.

Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.

Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas.

Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois.

Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma. Que aquele que mata, não mate.

Que aquela timidez do pobre passe. Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie. Que o velho velhe.

Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze. Que o som soe.

Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe.

Que a árvore arvore. Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core.

Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe. Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.

A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.



(Arthur da Távola)





A Alegria?

Já me sorriu
A um ano me disse adeus.

(J.L.)



Sabe, muitas vezes eu queria não falar nada, queria deixar as coisas erradas acontecerem, não me importar com nada. Dizer como muitos dizem por ai: ”Não é comigo então deixa.”

Não sei por que me irrito com a injustiça. Por que tomo a causa dos outros como minhas. Por que falo o que penso quando me perguntam, se quando perguntam nunca querem ouvir o que tenho pra dizer.

Não sei por que eu tenho essa de querer ser sincera e expressar, se a maioria das pessoas preferem se enganar com coisas falsas.

Eu nem sei por que to escrevendo isso!

Porque se tem uma coisa que sei, é que não consigo deixar pra lá o que tenho como verdade, o que tenho como sinceridade, a minha opinião, meus pensamentos... e acabo me dando mal.

Não consigo ser indiferente a tudo isso.

(J.L.)




É o peito incomodado

Pelo silencio forçado

Que chora calado

E sofre inconsolado

Não sei por que me dói ainda

E não há o que fazer

Porque mesmo que os dias passem

Não se apaga a dor em meu ser

E tudo fica assim

Descolorido e sem som

Só ele grita

E toda noite vou dormir

Ouvindo seus gemidos

Imaginando que amanhã vai passar.


(J.L.)



Eu gosto das coisas bem feitas

Por isso dedico-me a fazê-las bem

Não fico buscando os erros

Para depois perder tempo arrependida

Martirizando meus pensamentos

Busco acertar no que depende de mim

Não perco tempo com coisas que julgo errada

E se erro nas minhas escolhas, acredite

Eu não repito o mesmo erro duas vezes

Uma vez já me basta

Que me venha outro, não o mesmo

Não adianta insistir no que não leva a nada

Há uma lição em cada situação

Faço o que julgo certo

Ei de errar sim

Mas não há nada mais medíocre para mim

Que viver cometendo as mesmas besteiras

Por não se permitir tirar as lições

A vida não é momentos de impulsos

Vividos a qualquer custo, de qualquer jeito

Vida é o respeito pelo próprio eu

Que se estende aos outros.


(J.L.)



A gente sabe quando uma pessoa é sensível, quando ela não ri dos teus problemas. Certo que existem alguns problemas que o riso é inevitável, mas ri dos sentimentos, das indagações e questionamentos não.

Rir nesses pontos, ao menos para mim, é indelicadeza das grandes, um Q de superioridade, menosprezando a situação vivida pelo outro e que, sem muita noção e percepção, julga-se apto para opinar com “clareza”.

Sensibilidade é justamente sentir a dor do outro, as incompreensões, as culpas, é sentir-se parte do outro e só ai perceber o quão difícil é a situação ao qual se encontra, é quando não há aversão ao que você diz, porque o que você diz é o que está em você e não o que o outro pensa, deseja ou espera que seja.

É muito fácil olhar a vida do outro de fora e ditar conceitos, regras e opiniões. Só sabe mesmo é quem vive, e os demais são espectadores que muitas e muitas vezes não estão atentos, não sabem um terço da história, nem perguntam, nem interpretam, porém, querem ter razão por verem pequenos flash’s e a julgarem a parte pelo todo.

Sensibilidade é o que te torna apto a ser um bom amigo e um bom ouvinte, pois os bons amigos não irão rir das suas necessidades, ele as perceberá antes mesmo que possa falar, porque há uma fusão entre ambos ,ou então, se não conseguir captar antes, ele escutará teus desabafos, olhará nos teus olhos e mesmo que não diga nada, uma palavra amiga, ou um sermão necessário, ele dará a importância necessária aos teus sentimentos.

E é preciso a contrapartida também, a sensibilidade é honesta e se você não quer escutar, irá transformá-la em qualquer outra coisa que não te permita enxergar o obvio porque a visão nessa questão, é o terceiro olho, precisa ser centralizada.

(J.L.)



São os versos um alivio

Quando a alma grita

Quando a tristeza invade

Sem saber começo a escrever

Sem me importar com formas

Quero mesmo é espairecer

Nas linhas há liberdade

Sinto-a deslizando nos dedos

Nas rimas

Não me importo com nada

Nem com quem possa ler

Dificilmente alguém vai entender

Versar me esvazia

E me domina

Minha poesia, vida minha.


(J.L.)



Se se foram as lembranças do nosso amor

Se o tempo de ti tudo apagou

Se o sonho não se consumou

Que poderei fazer?

Se não houve o que esperar

Se nossas mãos não podem mais se juntar

Nem nossos lábios se aproximarem

Que poderei fazer?

Nem um dia se quer deixei de pensar em ti

E cada noite a chorar sem ti

Sem nenhuma esperança para nós

Nada pude nem poderei fazer

Que me venham os dias e noites

Sem ti, hei de morrer.

(J.L.)




Que coração traiçoeiro

Tanto que busca e não consegue encontrar

Se tivesse mãos não saberia segurar

Se tivesse pés não saberia andar

Que coração traiçoeiro

Tanto que sonha e não consegue realizar

Se tivesse boca não saberia falar

Se tivesse mente não saberia pensar

Que coração traiçoeiro

Tanto que quer e não consegue ter

Se tivesse ouvidos não saberia escutar

E se ele mesmo tivesse coração não saberia amar

Que coração traiçoeiro!



(J.L.)



Acreditaste em vão

Nas palavras soltas

Ditas para enganar

Vestes de hipocrisia

Mascaras para enfeitar

Apenas para se aproveitar

Que te cegam com inocência

Fingindo um espírito nobre

Uma certeza camuflada

Uma realidade inatingível

Acreditavas em que afinal?

Na voz que se dava por certa?

Era só mais uma mentira

Que por fim, sempre se revela.



(J.L.)




Como criança Senhor

Corro para os Teus braços

Onde sei que estou segura

Choro tudo que tenho que chorar

De dor que aqui dentro não quer parar

Tenho tanto para te falar meu Pai

Mas hoje, hoje eu quero chorar

Deixar as lágrimas correrem

E meu coração desesperado em ti se aquecer

Conhece-me Senhor

E eu tão pouco sei de mim

Angustia-me o amanhã e o ontem

E hoje sinto-me tão fraca

Fica comigo Senhor

Mais que tudo preciso de Ti

Venha me fortalecer

Perdão!
Porque muitas vezes fico sem direção...


(J.L.)



Fecho os olhos

Escuto o que vem de dentro

Pensamentos que se formam

De uma saudade

Uma distância

De um amor que vive

De um coração que sente falta

E faz versos que escorrem nos olhos.


(J.L.)