Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Chorei meus desafetos e minhas fraquezas
Chorei minhas angustia
E doía tão profundamente que me fazia soluçar
Falei com Deus e pedi seu perdão
Só Ele sabe o que se passa em meu coração

Revive em pensamento as amarguras
E chorei o que ainda não tinha chorado
Que estava preso, engasgado
E depois foi acalmando
E depois fui suspirando

E me entreguei aos meus versos
Minhas pobres rimas
Tem dias que são assim
Tristes!
E até a tristeza pode virar arte na vida.




(J.L.)


Ninguém imagina a dor que um coração pode carregar
E poucos, muitos poucos poderão ver além
Do riso forçado na boca
Do brilho opaco no olho de alegria

Ser forte talvez seja ser assim
Não deixar transparecer os ecos do coração
Esquecer até mesmo um pouco de sua dor
Para estender a mão ao outro

Porém confesso, há dias torturantes, cortantes
Que queríamos gritar, por pra fora, externar
Mas nos recolhemos naquele canto
Com nossos pensamentos apenas

E procuramos a solidão que se faz companheira
Entendendo a nós mesmos em nosso deleite
Derramando as lágrimas em silêncio até a exaustão
Para no amanhã travar uma nova batalha.

(J.L.)







Às vezes algumas lágrimas chegam sem nos darmos conta
É alguma ausência que dói,
Uma lembrança que aperta o peito
E nasce mais uma tristeza
E é preciso mais um disfarce
Para que não vejam meus olhos brilhando
Por escorrerem uma saudade.

( J.L.)




De todos os dias que me torturam
Hoje me foi o pior
É como sentir a própria morte
Por longo momento
Acariciando a cova que me espera
E me veio o medo
O desespero
Ritmado pelo pensamento
Do que há de vir depois daqui
Muito além desta pobre vida
Perdida e sem sentido
Que jaz a muito tempo
Habitando um corpo inóspito
Que se vive e só vive
A espera da própria morte.

(J.L.)



Passam-se esses dias

Que inflamam minha dor

Como fogueira perene

É a dor do amor

Acessa e consumidora

Das lenhas do coração

Do peito sofredor

Por um amor enganador

E queima e arde mais

E não se transforma em cinzas

Para que o vento e esses dias levem

O fogo cresce!

E de amor ou por amor se fortalece

Sem que haja preces, nem reveses

A fogueira, meu amor,

Meus dias consomem e entristecem.


(J.L.)




Quando bate a chamada tristeza
Que hora chega sem avisar
E toma meu riso
E me faz chorar

Vem do nada
E chega em algum lugar
Naquele que eu não queria lembrar
E dói

Um tormento de lembranças
Que o tempo não destrói
Que o coração remói
Num sofrer só meu

Tristeza que me invade
Cheia de saudade
Tão covarde
Dói!


(J.L.)



"Enfim, em meu quarto
Para chorar a dores deste dia."

(J.L.)



É grande o peso da lágrima

Que escorre dentro da alma

Eu não entendo muita coisa

E sabe, bem que eu queria

Saber por que esta dor me consome

Por que meus dias são tristonhos

E minha vida é um acordar sem razão

Um anoitecer de solidão

Tudo se foi com o que acreditei um dia

Amar quem prometeu-me felicidade

E sem alarde deixar-me ao leu

Com uma ferida que não sara

Não, eu não sei...

O que fazer por aqui

Para quê estar aqui?

Motivo não tenho, nem entendo...


(J.L.)




Cada dia mais longe estou

Já gosto desta minha ausência

De observar distante

De silenciar meu riso


A gente vai se afastando

Do tempo e das coisas

De pessoas e de vontades

Já não é mais como antes


O que ficou foi bem pouco

E a qualidade não mudou

Um ou dois amigos ainda restou


Não preciso de muita coisa

Além de me refazer

O que vai e o que fica só eu sei dizer.


(J.L.)






Hoje foi um dia restrito

De choros internos

De lágrimas que rolam na alma


Hoje foi dia de olhar distante

De solidão que fere mais ainda

De coração apertado


Hoje foi dia de nó na garganta

De voz embargada

De poucas palavras


Hoje foi mais um dia que fiquei ali

Tentando encontrar explicações

Para diminuir meus tormentos


Hoje, fui incapaz de sorrir

Porque o que mais existe em mim

É tristeza que chora e chora sem fim.


(J.L.)





Tão torpe meu pensamento

Neste inicio de noite que se forma

E toma-me indiscutivelmente

Num drama fulgente de vida


Nem som, nem cor

Não há nada de contente

Que ser busca viver

Sem esperança e sem crença?


Se vai mais um dos muitos

Que escondo pelas trilhas dos becos

Na calada das noites escuras


Não há luz nestes dias

Posto que de dia é madruga

E a madrugada nunca se torna dia.


(J.L.)




Vou escrevendo

Definhando os dias

Compondo os versos e reversos

Do remoto e da aurora

Do que foi e que talvez será

Vou tecendo o véu

Suave dos dias corridos

De cores fortes ou fracas

Depende do estado vivido

Mas que cai delicadamente

Correndo a história

Do leque aberto da vida

Para tão logo do nada

De súbito fechar-se

Por fim do fim em morte

Ou por fim do fim em vida.

( J. L. )





Tem dias que parecem insuportáveis e nossas forças esgotadas...

Que se chora muito ou que não se chora nada

Que se pensa muito ou não se pensa nada

Porém, pesa

Tanto o muito quanto o nada...

Tem dias assim!

E logo depois descobrimos que este estado passa

E deixa mais um aprendizado...

São dias de aluno em estudo solitário!

(J.L.)




Cem dias na tentativa de esquecimento

Mergulhada na dor, na ausência

De mim e dos outros

No pranto da solidão

Todo dia se destrói uma esperança

Para que vale a confiança?

Poucos são os que a retém

Só os grandes a contém

Tentar-se refazer depois da caótica destruição

Depois de tê-la perdido

De ver destruído os sonhos

A crença na afeição daquele sentimento

Idealizados sozinhos

Eu sempre estive só

Todo o tempo foi projeção

Refletida em conto de fadas

Se eu fosse boa o bastante não teria ouvido tais palavras

Ninguém deseja que o melhor saia de sua vida

A não ser que não exista o melhor

Porque se existisse haveria contentamento

Basta relembrar a indiferença

Para sentir a repulsa

De quando alguém corta a corda e do precipício se cai

Tão longe, muito longe , para longe fui

Distante do meu querer

Esquecida de meu ser

Não há o que reconstruir

Um dos arquitetos perdeu-se no projeto

A mentira sabe como romper alicerces

Sabe como ferir o coração

Sabe como desbotar a cor

E assim nascem os céticos

Retraída pelos princípios

De que vale um homem sem princípios?

Foram por eles que se estabeleceu toda queda

De humanidade e de esperança

Fico aqui a ver passar por entre os dias

As dores? As lembranças? A essência?

Fazem cem dias

Sem dias...

(J.L.)


Perdi a conta das noites em clara

Das lágrimas derramadas

Dos risos forçados

Dos dias passados

Perdi a conta dos conselhos

Dos entendimentos

Das orações

Dos tormentos

Aceito meus espinhos

Esta estrada difícil de caminhar

Sem mais contar

Deixo tudo passar

Cada ação tem seu momento

E se agora choro, deixo rolar

Esperando apenas a hora

Sem contar eu sei que vou levantar.

(J.L.)