Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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São as vozes que gritam
São os gritos que gemem
São os gemidos que sussurram
São os sussurros que lamentam
São os lamentos que choram
São os choros que agonizam
São as agonias que sufocam
São os sufocos que matam.

(J.L.)



Não! Eu não volto

Voltar é dar um passo atrás

Eu prefiro passos adiante

Do novo, do desconhecido

Mesmo que seja com dificuldades

Voltar para mim não é nova oportunidade

Oportunidade é o que me vem

Não o que me volta

Eu recomeço...

Um novo caminho, de um jeito diferente

Lutei para não chegar a separação

Não queria e estava a disposição

De não deixar sua mão para que nem eu nem você

Seguissemos outro atalho

Mas você escolheu diferente

Sem mais certezas e com indecisões

Preferiu suas realidades de ilusões

Quando fiquei só tive de seguir outra estrada

Chorei e choro

E não é querendo voltar àquele ponto de partida

Ou esperando que retornes para mim

Minhas lágrimas eram e são,

Justamente por saber que, eu mesma,

Jamais voltaria.

(J.L.)



Sinto a lágrima que cai

Doendo no íntimo da alma

Queimando-me sem pudor

Pela ferida que deixou

Ó dor que não me abandona

Que não há como remediar

Trepida meu pensamento

Dilacerando todo o limiar

Cai a noite o meu pranto

Sedenta de alento calmante

Pelo que não há como curar

É o amor doído e traído

Pelo jurar do teu amar

E repudiado só sabe chorar.

(J.L.)




Truques do Tempo

Composição: Zé Geraldo / Aroldo Santarosa / Tavares Dias

Quem se liga nos truques do tempo
sabe o espaço entre a pressa e o prazer
entre o belo e o bem parecer
entre o ser e o que parece ser
Sabe ouvir na hora de calar
não diz B quando o tempo é de A
só quem sabe o tempo da colheita
é quem teve a manha de plantar
Não queira que eu deixe
de andar pelos portos
por vilas e becos
com loucos e tortos
enquanto eu não tenha
chorado os meus mortos.

Perdi a conta das noites em clara

Das lágrimas derramadas

Dos risos forçados

Dos dias passados

Perdi a conta dos conselhos

Dos entendimentos

Das orações

Dos tormentos

Aceito meus espinhos

Esta estrada difícil de caminhar

Sem mais contar

Deixo tudo passar

Cada ação tem seu momento

E se agora choro, deixo rolar

Esperando apenas a hora

Sem contar eu sei que vou levantar.

(J.L.)