Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!





Chegando o final de ano e todos nas mesmas felicitações de outrora. Feliz ano novo todos desejam, esperam ansiosos como se esta chegada fosse a renovação de tudo o que não deu certo.

Acontece que o ano não muda, os dias seguem corriqueiros, amanhece e escurece, faz sol e faz chuva, é pratica do oficio da majestosa natureza.

E esse novo que tantos esperamos? Vem de onde? Que dias novos? Que ano novo?

Os anos passarão sempre, da mesma forma, chega o dia 31 de dezembro e vem o dia 1º de janeiro, comum, com uma única diferença que será aquilo que VOCÊ trará de NOVO para a sua vida.

Os donos das mudanças e escolhas somos nós!

É você que vai decidir o que vai ser a cada novo dia, pois com ele nasce também uma nova oportunidade, você decide para onde vai, para o bem ou para o mal e é bem verdade que muitas das fatalidades estão mais por conta das escolhas erradas que fazemos.

Feliz do homem que pode olhar para trás e ver que sua vida foi um exemplo: de esperança, de fé e de caminhada. Feliz o homem que não se esconde do seu passado e que espera o futuro da forma mais sublime, mudando sempre que possível ele mesmo, consciente de seus erros que precisam ser corrigidos, não esperando que os dias mudem, porque eles não mudam apenas seguem sua sequência.

Para estes, conscientes de que a mudança deve de fato começar em si, eu desejo um FELIZ HOMEM NOVO. São estes que farão os anos vindouros bem melhores.

(J.L.)



Por que não falar de um assunto tão escasso nos dias de hoje?

Falar da sinceridade, da tão chamada Lealdade que o homem não sabe mais cultivar.

Os animais são bens mais leais que o próprio homem, possuidores talvez de sentimentos bem mais nobres que os meus e os seus embora não pertençam a classe dos racionais.

E como falar de lealdade se não falar de amor? Se não falar de amizade? Se não falar de mentira?

Ela é própria de quem tem caráter, qualidade estimada e adquirida, porque ninguém nasce sabendo de nada, tudo é aprendido. Por tanto, caráter só tem quem soube aprender a respeitar o outro e necessariamente quem respeita o outro é que consegue adquirí-la.

Logo, a lealdade só existe quando há respeito, admiração, entendimento do outro, quando isto não é base em um homem ele verga para muitas faces, sendo a pior delas a mentira, destruidora das relações humanas, matadora dos anseios e sonhos.

E o que vemos é muita gente no desfecho do deixa ver o que acontece e essa modernidade tem extinto essa qualidade vital, tão singular, de forma deprimente e vazia, num monólogo quase que universal de que seja eterno enquanto dure, não se precisa de mais nada.

Eu observo “moralistas”, formadores de opiniões com vidas duplas e promíscuas, ditando ao léu uma realidade não vivida, falando de fidelidade, de constância, de uma lealdade fingida, enganadora. É deplorável.

O que te faz pensar que alguém te vai ser leal?

A sua palavra? E qual validade tem a palavra hoje?

Te será leal aquele que sabe ser fiel com os outros, observe, o passado revela muito mais que o presente. Já dizia uma frase que aprendi desde criança: “Se você quiser sabe o que um homem pensa, não ouça o que ele diz, observe o que ele faz.” É o fazer que faz um ser.

Te será leal aquele que sabe o quão precioso é ser sincero, que não fala por canções, nem por adivinhações, aquele que sabe ser ele mesmo. Que se encontra com ele mesmo para assim poder se encontrar com os demais oferecendo o que há de melhor nele.

Vede os animais? São apenas eles, aprendem o afeto e são leais aos seus donos. Vede os homens? Racionais e bem mais dotados de sentimentos, mas repreensíveis na arte da lealdade.

Queria mesmo dizer que poucos são aqueles que possuem caráter, que é ele mesmo sem medo do que possam pensar, bom ou ruim, mas leal a si mesmo, pois só assim , este saberá ser sincero com os outros, gesto excepcional de quem sabe o valor do amor e suas ramificações.

( J. L. )



Junte-se a mim quem tem o que ensinar

Quem sabe partilhar

E na vida não canta por cantar

Venha comigo aquele que sabe contar

Somar os acertos e diminui os erros

Multiplicar a paz e dividir o pão

Junte-se a mim quem tem pé no chão

Quem sabe o que é razão

E a vida sabe agradecer em oração

Venha comigo aquele que sabe ser verdadeiro

Que denuncia a mentira e a corrupção

Que não se aliena perante o conhecimento

Junte-se a mim quem sabe ser gente

Respeitando os sentimentos

Quem sabe conjugar o verbo amar

Venha comigo que juntos podemos ser melhores

Na ajuda mútua do termo companheirismo

E no crescimento íntimo do termo pessoa.

(J.L.)




Passou-se para mim um dia difícil, daqueles que a gente quer que termine logo mesmo sabendo que o amanhã não será diferente.

Daqueles dias em que você acorda por acordar, que você faz de tudo para modificar, mas o nada insiste em ficar. Estava eu ali a esperar este tempo passar, sem inspiração nem para escrever.

E veio aquele amigo, daqueles que só Deus pode colocar, a me questionar, a fazer-me chorar, a mostrar-me algumas verdades a qual tenho relutado, ou talvez tenha me esquivado.

Pude sentir assim o quão é precioso este dom, ele dizia: ser teu amigo não é vontade tua. Embora eu não quisesse nenhum amigo no momento, apenas queria que o dia terminasse logo. E assim começamos aquele diálogo, de pessoas sonhadoras, que anseiam por ver este mundo melhor, de jovens cristãos sedentos da verdade e da libertação, de filhos de Deus que aspiram pelo reino dos céus, de amigos que se encontram por benção maior do Pai para assim, juntos, crescerem na fé buscando entendimento na palavra que é luz para o caminho.

Ele me falava de quem eu fui, da confiança que tinha em mim, de entender o meu lado, mas sobretudo de querer-me corajosa, viva, revolucionária. Contava-me suas decepções e também suas revoltas e pacientemente falava-me dos ensinamentos de Cristo. Eu ouvinte atenta, sabia de tudo e a questão não era bem essa, e ele sabia disso, por isso falamos da humanidade, da nossa humanidade e limitações. Sabia que tinha chegado na minha, que era meu auge. Não lhe falei claramente de minha dor, mas ele a compreendia, e é nesta compreensão que questionava meu ser .

E assim o dia se finda, com a chegada e partida de um amigo que sabe ser amigo, sabe chegar e falar, sabe partir deixando o que ele tem de melhor. É assim meu amigo, as pessoas deveriam ir sempre deixando o seu melhor, se não são capazes de fazerem isso, não deveriam nunca chegar a vida de alguém.
Mesmo quando você parte você fica pelo bem que faz e eu não entendo porque outros partem deixando o mal e feridas difíceis de curar, mas você me fez lembrar desta canção que tanto entoei e que me dói cantar, mas é bem verdade que as pessoas ficam pelo mal ou pelo bem. E como ainda diz a letra da canção: “Não morrerá quem soube amar e que seja sempre assim, que eu deixe só o bem que existe em mim.”

Tu me ínsitas ao bem, unicamente ao bem, é de amizades assim que o mundo tem carência, de quem te mostra o infinito neste espaço limitado chamado Vida.


(J.L.)


É Natal!
Cristo nasceu!
Aleluia, aleluia, aleluia!

Com Ele a esperança da libertação.
De libertar-nos de muitas prisões nas quais nos encontramos.
Mas o Cristo só nasce para quem permite
E só liberta quem se deixa de fato tocar

Como seria bom se os homens se rendessem ao Amor
Ao Amor verdadeiro que transforma os corações
Se assim fosse, todo o mal seria dissipado
Porque o homem se torna seu condutor

Que Cristo nasça hoje e sempre em sua vida
Que você possa viver conforme seus desígnios
E assim seja multiplicador do bem
Tanto para si como para outrem.


(J.L)



Acordei pelos sons dos fogos
O povo festejava lá fora
Haviam pessoas felizes
Ou ao menos fingiam

Pode ser que a esperança os alegrasse
O festejar de um data religiosa
De quem espera uma mudança
Sem fazer esforço para mudar

Como eu não tenho o que esperar
Nem caras para fingir
Eu fiquei no meu canto aqui
Com aquele velho vinho

Uma taça para mim
Outra para minha amiga
Brindamos mais uma vez
Eu e a solidão.


(J.L.)



"Não quero amigo ocioso, passivo e "entendedor" de mim

Quero amigo questionador de mim

Que faça-me crescer em número e grau, este sim."


(J.L.)


Eu brinco contigo

Com teu jeito de valente

Tu és descontente

E eu prepotente

Eu posso contigo

Por isso debocho

Das tuas escolhas

Perdidas de trouxa

Estou neste mundo perdida

E vou também te perder

Tu sonhas que vai me ter

Porém sou brinquedo cortante

Fui quebrada quando amante

Agora sou insana, felina, roçagante.

(J.L.)






Se eu pudesse falar o sinto

Eu te diria o quanto te amo

E mais do que dizer

Eu mostraria o quanto te quero...

Se eu pudesse falar o que sinto

Eu não choraria tantas noites

Por ter tamanho amor dentro de mim

E não lamentaria amar-te assim...

Se eu pudesse falar o que sinto

Eu não precisaria fingir, que tudo está bem

Fingir que nada me atinge, que está tudo certo,

Que não quero você por perto...

Se eu pudesse falar o que sinto

Meu riso seria pura emoção

Riria também com o coração

Seria o meu amor uma canção...

Mas, eu nada posso falar

A ninguém poderei contar

Sei que muitas noites ainda irei chorar
Meu coração partido ficará

Sozinho ele estará

Quem sabe um dia,

Com uma lágrima

Esse amor se vá...

(J.L.)



Foi bom ouvir meu amigo que dizia

Quando escutei essa música lembrei de ti

Logo de mim que tão longe ouço agora a melodia

E me falou das lutas, das quedas

Da história de minha vida

Logo ele que tão pouco sabe de mim

Coisas que não digo, que não falo

Coisas que não expresso, nem confesso

Logo de mim aquela canção fez recordar

Você se foi e me deixou a tarefa de escutar

Eu a escutei e meditei

Sei porque ela te fez lembrar

De anseios e sonhos que muitas vezes me viu professar

Tu ainda não poderás entender

Os meus porquês de desanimar

Foi bom a visita, a lembrança que deixou rolar

Como quando ligas e fala da saudade do meu cantar

Eu espero um dia essa melodia voltar a escutar.


(J.L.)




Que muitos falem de amor
E anseiam por sua profundidade
Amor não é objeto que se quebre
Nem prazer, nem suor

Há quem viva em busca dele
E se perde em seu desejo
O que se quebra é o encanto de euforia
E euforia não é amor

Digam-me, digam-me
Vamos dar meia volta
Volta e meia vamos dar
O amor é aliança, é ouro

Quantos dias deve durar?
Na embriaguez do vinho
Sabe-se depois o seu pesar
No vai e vem das noites, depois o vaziar

Amor é pureza
Infeliz de ti que esquece seu pudor
Que desvirtua o quão belo é amor
Não tem literatura que exprima

Agora se cai nas torpes da vaidade
Da virilidade de homem libertino
A qual tem seu destino
É objeto e vai se quebrar

Quem quebra tantas vezes o amor
Dele não sabe dispor
E sempre que aparecer vinho de novo sabor
Dele vai se embriagar e vai quebrar


E os cacos quem vai juntar?
É aqui onde eu queria chegar
Quem trata amor como objeto
É quem se perde no caminhar
E não tem nada, nada a ensinar.

(J.L.)


O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

( Álvaro de Campos - Heterônimo de Fernando Pessoa )


É tempo, é tempo

É tempo de quê?

É tempo de Natal!

E todos falam de remissão

Vamos que é tempo de perdão

Tempo de fazer boa ação

E depois disso?

É tempo de quê?

Tempo de enganação

Vamos, vamos,

Ainda não é natal não

Podemos aproveitar a ocasião

E eu canto aquela canção

Que bom seria se natal não fosse um dia

Que bom seria!

(J.L.)

O amor, sei que quase não existe mais

O amor entre um homem e uma mulher não é mais amor

É obsessão, prazer, paixão...

O Amor entre pais e filhos limita-se a obrigações

Ou liberações, futuro determinado de confusões

O amor entre irmãos é mais discórdia, desunião

Disputa por quem é melhor nas situações

O amor pela profissão é o que pode dar mais garantias

De dinheiro, folgas e diversões, não precisa de dedicações

O Amor para contigo meu Deus, alguns dizem ter

Porém deixam a vida perecer e a Verdade morrer

Pois de que adianta amar a Ti e não amar o próximo?

(J.L)



Você foi a inspiração das minhas melhores poesias

Das minhas noites pensantes em dias de chuva

Das manhãs ensolaradas que anunciavam vida

Você foi o ardente desejo da menina mulher

Que o queria com ar de quem não quer

Que do olhar falava sem expressão sequer

Você foi o sonho dissolvido no tempo

Tornando-se versos, rimas e melodias

Um Q de felicidade desvairada


- Um H que me fez e faz suspirar!

(J.L.)




Não sei se morro

Ou se mato

Se fico

Ou se parto



Minha indignação é expressa

Minha raiva é expressa

E se houver perdão para mim

Perdoe-me Senhor

Porque não sei fingir

Não finjo puritanismo

Sou vertigíos de resignação.


(J.L.)







Não, não sinta falta do meu riso
Nem de minhas palavras
Não sinta falta de mim
Porque não sinto falta de nada

Nem do que fui
Nem do que sou
Porque já não sou
O que fui

Não sinta falta amigo
Dizem que tudo passa
E se passar talvez eu retorne
Para o jeito que tu sentes falta

E se não passar não lamente
A vida as vezes é assim
Passa e a gente nem sente
E eu também passarei.

(J.L.)



A inconstância não sabe namorar
Quem vê a menininha alegre
Vestida de cetim
Pensa que sabe amar

Ela faz carinha, beicinho
Finge saber cantar
E não sabe o que é terminar
Nem o que é começar

Começa aqui
Começa acolá
E não precisa terminar

Traquina e de nariz empinado
Ela samba
Deixando seu legado

Fraca
Fresca
Frívola
Frondosa
Frufru.


(J.L)







Às vezes eu não entendo as coisas que me acontecem
Sem explicação me vejo sofrendo
Ferido eu não enxergo as faces do sofrimento
Tanta confusão, meus pensamentos

Ah! Se eu pudesse... voltar atrás um pouco no tempo
Ah! Se eu pudesse rever uns erros, amigos e coisas do início
Mas entendo Senhor que me forma com amor
Pedra bruta eu sou...

Deus está pronto a me lapidar
Seu ponto de partida é sempre o meu nada
Quer me dar o fruto da intimidade
Na dor Ele me ensina, me acalma e reanima
Quer me olhar, seus olhos querem me encontrar
Em festa ele me espera, me aguarda e se alegra
Quer falar segredos ao meu coração
Preciso ouvir a Deus, estar em oração

Às vezes eu não entendo, o tanto que estou sofrendo
Deus quer me ensinar, eu sigo aprendendo
Rendido então me dobro, me lanço, me jogo e me prostro
Aos seus pés quero descansar

Ah! Se eu parasse... Pra falar um tanto mais com Deus meu amigo
Ah! Se eu pudesse, amar um tanto mais quem aqui já não existe
Mas agora é você... Não se deixe perder... Recomece a amar... Segue adiante
Deixa Deus lapidar! Deixa Deus te tornar um precioso diamante

Deus está pronto a me lapidar
Seu ponto de partida é sempre o meu nada
Quer me dar o fruto da intimidade
Na dor Ele me acalma, me abraça e não condena
Quer me olhar, seus olhos querem me encontrar
Em festa Ele me espera, me aguarda e se alegra
Quer falar segredos ao meu coração
Preciso estar a sós com Ele em comunhão
Eu quero ser um diamante... em Suas mãos!


Caem as folhas secas

Estas, levadas pelo vento

Arvores sem vida, sem verde

Sem essência

Caem também meu riso

Aquele jeito de ser contente

Foi levado pelo Amor tão indecente

O outono anuncia uma nova estação

Onde tudo será regado

E logo ficará renovado

Meu outono virou foi deserto

Meu caminho é incerto

Não quero mais nada regar

Quero antes a queimada

Ó fulga tão armada

O desprezo de tal amor

Quero a erosão

Um furacão

Com toda fúria de destruição

Não quero miragem

Antes a secagem

O fim da ilusão

Não quero mais nenhuma lágrima

Seque tudo em meu coração

Que nada mais tire minha razão

Seja sempre um outono deserto

Esse amor sem noção

Sem estação.

( J.L.)

Alinhar ao centro


Há momentos na vida da gente que temos que parar e pensar

Não pensamentos inconsequentes, incoerentes, que podem nos machucar

Mas para se viver bem é preciso saber pensar.

Há momentos que temos que saber falar e em outros devemos calar

Falar aquilo que convém, calar aquilo que sem querer vem

Mas para se viver bem é preciso saber falar e calar também.

E há aqueles momentos em que é preciso sentir o coração

Mas não se pode perder a razão

Pois nem tudo é conto de fadas e não se deve viver de ilusão.

Tem que ter pé no chão

Fazer acontecer a ação

Porque para se viver bem tem que seguir o coração

Sabendo aplicar a razão juntamente com a ação.

Pense, que se todos pensassem o bem e soubessem agir conforme o pensamento benéfico tudo seria diferente. A sua parte deve ser feita porque você é parcela indiscutível das melhorias que todos querem ver mas que muitos se limitam no seu próprio espaço, pensamento e ego, justificando suas ações com base em outras .

Um ser pensante cheio de responsabilidade é um ser de ação constante na realidade.

Pense bem!

E uma seus pensamentos às ações.

(J.L.)

E me falava de amor exigente
que se resume hoje
num par de pernas abertas

Êta amor banal
Amor de carnaval

(J.L.)



Até que venham e me perguntem
Não sintetizem minha verdade
Eu escrevo por versos e reversos
Por inspiração e dedicação
Por vivencia e por ilusão

Se querem saber, perguntem-me
Farei perceber o imperceptível
Por trás das letras contidas
Não idealizem a clareza
Porque ela também se esconde

Um poeta transcede a visão,
O entendimento
Não, não inventem
Pergunte-me
E direi o porquê de escrever...

(J.L.)




Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

( Manuel Bandeira )


Sentada vejo passar

Passam as crianças

Passam os adultos

Passam as coisas

Vejo passar um sorriso forçado

Uma dor sufocada

Um choro reprimido

Uma esperança perdida

Passam rápido

Passam devagar

Eu mera espectadora da vida

Ah vida!

Passa logo ...


(J. L.)




Não sei porque ela me faz lembrar
De um tempo tão distante
De um passado errante

Me dá aquela tristeza
Que não sei definir
É a recordação que me faz sentir

E pergunto: será?
Porque eu lembro tanto de tantas coisas?
Sendo que elas já se foram. Ou não foram?

Ah chuva
Porque tive tanto medo
Por quê?

Agora resta o infortúnio
Do que não foi
Por medo do que podia ser

Será tudo tempo?
Como cada chuva tem seu momento?
Será?


(J.L)


" Haverá algum dia diferente destes em que poderemos confiar em algumas pessoas e elas se importarão com o que somos e assim não sermos levados a falsa idoneidade representada por façanhas repetidas de mentes inteligentes o bastante que não sentem-se culpados do mal que fazem? "



E não existiu nada
Que eu tenho feito com maior amor
Do que cantar...

Do que ouvir a melodia
E nela me embalar
Dançar...

Eu não sabia muita coisa
Técnicas e afins
Apenas desejo de transformar...

É por isso que procurei cantar
Pra deixar o coração falar
Porém hoje quero calar ...

Não que não tenho mais desejo
Alguma coisa morreu
Ou tive que matar...

Ainda não descobri
Mas aquela melodia
Eu deixei de escutar...


(J.L)



Sim amigo
Diga-me quem eu sou
Mostre meus erros
Ensine-me a crescer

Sim amigo
Grite comigo
Grite porque tomei o caminho errado
Diga que me avisou

Sim amigo
Diga palavras duras
Sem medo do que eu possa pensar
Ou de me fazer chorar

Sim amigo
Seja meu amigo
E mostre-me o espelho
Deixe eu olhar o que me tornei

Sim amigo
Não se omita comigo
Em nome da amizade
Faça seu papel

Sim amigo
Não deixe eu me perder
No meu pensar, agir e no meu ser
Grite comigo. Grite!!


(J.L.)



Não , eu não tenho medo de encarar meus erros
De dizer o que sinto e como sinto
Não tenho medo de mudar
Eu mudo por precisar

Eu não tenho medo da vida
Eu tenho medo das pessoas
Que vivem aqui e não conseguem se encontrar
Vestidas com máscaras que enganam o olhar

Eu não tenho medo da verdade
Eu tenho medo da mentira
Que engana torpemente
Porque mentira é vicio difícil de curar

Eu não tenho medo do cansaço
Nem das lutas que tenho que travar
Eu tenho medo é de não saber onde quero chegar
De aos outros enganar

Eu não tenho medo de sonhar
Nem de os sonhos realizar
Eu tenho medo é de não ter senso de humanidade
E em outros pisar

Eu não tenho medo de felicidade
Eu a busco incessantemente
Eu tenho medo é de quem não sabe como ser feliz
E só olha pro seu nariz

Eu não tenho medo de muitas coisas
Mas o que eu realmente tenho mais medo
É de me esquecer de Deus depois de tudo que vivi
E esquecer da Verdade pregando falsa moralidade.


(J.L.)


Não, não é bom ouvir mentiras

Muito menos proferí-las

É por isso que prezo tanto a verdade

Que seja dita custe o que custar

Mentira é faca afiada

Que mata o respeito por nada

Abala a honestidade de quem ditou

E a honra de quem indagou

Escolhe este caminho quem quer

Porque a verdade sempre se revela

E o que fica depois é o devaneio inóspito

Da alma inquieta pela usura

Transparente seja tu

Exima-se desta feiúra

De homens em lama querendo exalar jasmim

Pois para se chegar a púrpura

É preciso a verdade sim.

(J.L.)