Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Ela era a menina das palavras
Escritas e faladas
Ela tecia como ninguém as interpretações
De tão minuciosa que era

As palavras faziam-lhe cocegas
Tiravam seus risos
As palavras lhes eram como punhais
Atravessavam o coração

As palavras não se perdiam
Tudo o que era dito era guardado
Seu pensamento remoía
E mergulhava nos sentidos

As palavras nem sempre era o que eram
Ela sabia que o tempo fez perder seu valor
Por isso nunca falava sem sentir
E nunca sentia sem falar ou escrever.


(J.L.)



Disseste que poderia voltar

Que o que tiver de acontecer acontecerá

Que se descobrisse que ainda amava

Iria voltar

Disseste , disseste...

Por quantas vez disseste?

E quantas vezes voltaste atrás?

É mais fácil dizer que o tempo resolve algo

O tempo nada faz

Quem escolhe não é ele

O tempo que ousou invocar

É o mesmo que usas para determinar

Só caminha a frente quem quer seguir

Só volta atrás quem sabe que precisa retornar

Quem não tem força para isso

Estaciona na ilusão do “deixa a vida me levar”

Existe o querer e o buscar

Não basta apenas sonhar

A realidade é onde está seu coração

Se ignoras, fica preso, retido na imaginação.

(J.L.)




Não, não sinta falta do meu riso
Nem de minhas palavras
Não sinta falta de mim
Porque não sinto falta de nada

Nem do que fui
Nem do que sou
Porque já não sou
O que fui

Não sinta falta amigo
Dizem que tudo passa
E se passar talvez eu retorne
Para o jeito que tu sentes falta

E se não passar não lamente
A vida as vezes é assim
Passa e a gente nem sente
E eu também passarei.

(J.L.)