Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!





E os dias do ano que se findam
Para o novo e o desconhecido
O amanhã que se fará hoje
E que somente tu poderá vivê-lo
Da forma como escolher

Dos acasos que irão acontecer
Hás também de aprender
Porém o caminho está lá
A ser seguido
A ser desbravado

Serão os desejos e sonhos que impulsionarão
Teu coração a seguir
A pequena, média ou grande felicidade
Depende sim e muito
Da forma como verá

Que o ano seja simples e intenso
Porque a simplicidade realmente nos permite enxergar
E a intensidade nos permite viver
E viver é mais que esperar os dias
Viver é fazer os dias acontecerem.


(J.L.)






" Não me importo com o que não
deu certo, eu me importo com
o que pode dar certo. "

(J.L.)




Não são os caminhos difíceis; Não são as árduas lutas ou as dificuldades que nos são apontadas; Nem a distância dos nossos sonhos que poderão nos afastar de nossos objetivos e sim a ausência da garra e explanação das metas, do primeiro passo da jornada, do olhar determinado, do coração pulsante e cheio de esperança, da entrega de si mesmo para a prosperidade desejada.

Lançar-se na batalha é acreditar no seu potencial esforçando-se ao máximo pela vitória, pois o esforço é oxigênio das expectativas.

Que não lhe falte energia!

Que não lhe falte perseverança!


(J.L.)




Ia eu e a lua
E eu não me cansava
E o tempo não existia
E as horas não passavam

A noite irmã
Já soltava-me pelas mãos
E o sol me abrasava o corpo
Queimando junto meu coração

Ia eu e os versos
Mais singelos que encontrei
E para não perder sua magia
Soltei-os no vento e apenas cantei

Querendo o bem de tudo
Olhando para mim mesmo como parte de todos
Segui meu desejo e minha esperança
Segui o meu próprio sonho

Ia eu e você também
A lua e a noite irmã e os versos
Nos despedimos depois da curva ascedente
Além do nosso universo.


(Esteban Beijamin Flores)





Nquela grande curva da existência

Segue uma longa estrada

Sou aquela busca incansável e sem medida

Da vida que quero

Quando olho para trás

Vejo todo o caminho percorrido

E o cansaço parece dominar

Porque foi difícil tal jornada

Não se sabe o que tem adiante

Fica o receio do próximo passo

Da próxima virada

O medo e receio do por vir


Afinal que sentido se pode dar?

Diante do mistério que se revela por segundos

Que caminho trilhar?

Diante dos rumos apresentados

Viver às vezes confunde

A vida tem lá seus precipícios

Que hora ou outra é preciso arriscar

Que é preciso acreditar e avançar

Não tem como se antecipar

Há acasos, escolhas e decisões

A mistura de altos e baixos

De alegrias, tristezas e aprendizagem

Lá estou eu, na curva da minha vida

Querendo não mais olhar atrás

Esquecer o que ficou...

Vou seguir sim adiante,

Mas bem lá vai ficar

Uma parte de mim...

Se não fossem as curvas

Não saberia que às vezes é preciso parar

E que também é necessário arriscar

Deixando em cada curva o que é preciso deixar.


(J.L.)





Vou escrevendo a vida

Rimando os traços passados

Vou deixando as marcas

E fazendo versos a cada passo

Deixando recordação

Imaginando mais sonhos

Sufocando algum amor

Compondo também a dor

Vou e fico em linhas

Carregadas de tantos sentimentos

Umas expostas a muitos

Outras recolhidas ao intimo

Às vezes me toma tamanha ausência

Consumindo algum talento

Que fere e é tormento

Que não escrevo e é silêncio.


(J.L.)




" Quando falo no que acredito muitos riem
porque já deixaram de acreditar,
mas eu acredito."

(J.L.)





E a verdade é que eu não quero mais nada

Só estes minutos que se dissolvem em beijos

No abraço apertado cheio de vontades

Da proximidade que temos e que nos afasta

Nenhuma promessa, nenhuma esperança

É bom assim, quando nos queremos no olhar

Quando relutamos nos dias

Quando improvisamos o acaso

E a madrugada é nossa testemunha

Quando nossa respiração falta

Quando não há palavras para tal momento

Apenas o momento

É assim quando estou contigo

Vivo cada segundo esperando mais

Um dia qualquer dá certo

E nós dois não queremos mais nada.


(J.L.)



Eu espero Jesus aqui, no meu silêncio.

Vem Senhor e traz contigo as esperanças já perdidas, traga-me a paz tão desejada, a alegria que se desfez. Espero-te aqui, em meu silêncio de filha, que sabe em depositou sua fé.

Enquanto escuto os foguetes, risos e felicitações lá fora, choro aqui. Chorar talvez seja minha forma de dizer o quanto te esperei, desejando que nascesse em mim, que minhas atitudes e pensamentos te acolham como a manjedoura, fazendo de tão simples momento um esplendor maior e assim me torne melhor do que ontem, que me ensine a ser bem melhor para meus irmãos acolhendo-os como são, compreendendo-os, quem sabe, além dos limites que eu possa acreditar que existam.

Não quero alegrias vãs e passageiras. É por isso que ponho a ler vossa escritura, a meditar os mais ocultos detalhes da narração de Teu nascimento que agora comemoramos. Deixando meu coração ser um presépio, preenchido da humildade que te rodeou, da adoração que te prestaram, dos presentes que te ofereceram, da estrela que brilhou naquele céu. Por mais que eu não entenda, quão precioso e importante é este momento, nada mais quero do que vivê-lo e buscá-lo como os Reis Magos o fizeram.

E vendo Tua estrela brilhar estou eu a dizer: Nasceu o meu Salvador!


(J.L.)



Por pior que seja um homem ninguém tem o direito de tirar-lhe a vida.

Eu sei e penso muito, muitas vezes, que, o mal que fazem devem pagar, mas daí a tirar a vida do outro eu não concordo.

Já fui vitima, já deixei a ira me aplacar, já desejei que morressem, já quis a justiça com as próprias mãos praticar. Quando sentimos dor, quando nos tiram o que amamos, que sentimentos poderíamos ter? Se não estes? Mas ainda bem que logo recriminei estas minhas atitudes e pensamentos.

Não há nada melhor que a justiça de Deus que no seu tempo Ele fará, nós que ousamos em nos sentirmos melhores que outros, mais merecedores, mas não somos mais que nenhum outro.

Tiraram uma vida ! Mais um jovem se foi... Pode até haver motivos, mas onde está a razão disto? A ira humana nos aparta da realidade de filhos de Deus. Esquecemo-nos do que somos para sermos o que não somos, para agirmos diferentemente , fora dos desígnios para o qual fomos criados.

Um jovem se foi! E quem sou eu para julgar seus erros? Eu sei que hoje sofre aquela família pelo fim, talvez premeditado e nisto não há glória. Tirar a vida de um semelhante é desassemelhar-se.

Desejo profundamente, que não nos envolvamos cada vez mais neste egoísmo que nos impede de olhar o próximo. Que finde em nós as razões e justificativas para que a caridade seja esquecida.

(J.L.)



"Não se esquece uma saudade

Não se apaga um amor."








Aqui dentro sempre chove

As nuvens densas tomam contam

De todos os cantos do coração

O sol não brilha

Aqui dentro sempre chove

E faz frio

E as lágrimas inundam o ser

É sempre inverno

Só as tempestades vigoram

Só a tristeza prevalece

Só a luz não aparece

É resto de vida à míngua

Encharcada pelas águas

Não é vida, não é mais nada.

(J.L.)



Eu gosto de falar da amizade, embora tenha tão poucas, mas neste pouco, vejo o quanto são significativas, verdadeiras e boas.

Sim, a amizade precisa ser significativa, ela é um encontro, sobretudo de identificação pessoal com o outro, o que necessariamente não quer dizer que os amigos combinam em tudo, que gostam da mesma música, do mesmo gênero de filmes ou das mesmas brincadeiras, quer dizer que antes se identificam no olhar, na presença, no respeito, mesmo que as diferenças existam. É um amor nobre, uma doação sem explicação, quando se permite dar a conhecer um pouco de nós e de ter a quem confidenciar e partilhar nossa vida.

A amizade verdadeira não tem preço, é aquela que não te esconde as incumbências, que grita quando você não quer escutar, que te aponta o erro quando você pensa ser certo, que te mostra o caminho quando você está perdido. Que não cria uma ilusão de ótica a respeito a vida, que vive bem e o bem pode te mostrar e juntos o caminho vão andar, que chorará tua dor, que rirá tuas alegrias, que comemorará tuas vitórias como se fossem suas, que a maior distancia nunca impedirá das flores crescerem no coração de cada um, porque assim é a verdade, constante, impar, florescente.

Boa por sua própria natureza, singular com um coletivo infindo, de fazer bem, de conter preciosas virtudes, somando-as ao ser de cada um, fazendo-nos melhores, ajudando-nos em nosso crescimento seja ele pessoal, espiritual, profissional.

Eu gosto de falar com meus amigos, sempre aprendo um pouco mais, embora eu tenha tão pouco tempo, não quero deixar de ter tempo para escutá-los. Amizade é o amor fraterno que nos permite compreender que jamais estaremos sós. Há sempre um amigo que vai querer sentar e conversar comigo. Graças a Deus.


(J.L.)





Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe. Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim. Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando.

Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo. Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência. Tanto mais lúdica quanto mais complexa. Tanto mais complexa quanto mais consciente.Tanto mais consciente quanto mais difícil. Tanto mais difícil quanto mais grandiosa.

Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.

Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas.

Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva. Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois.

Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la. Que aquele garoto que não come, coma. Que aquele que mata, não mate.

Que aquela timidez do pobre passe. Que a moça esforçada se forme. Que o jovem jovie. Que o velho velhe.

Que a moça moce. Que a luz luza. Que a paz paze. Que o som soe.

Que a mãe manhe. Que o pai paie. Que o sol sole. Que o filho filhe.

Que a árvore arvore. Que o ninho aninhe. Que o mar mare. Que a cor core.

Que o abraço abrace. Que o perdão perdoe. Que tudo vire verbo e verbe. Verde. Como a esperança. Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.

A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.



(Arthur da Távola)





A Alegria?

Já me sorriu
A um ano me disse adeus.

(J.L.)



Sabe, muitas vezes eu queria não falar nada, queria deixar as coisas erradas acontecerem, não me importar com nada. Dizer como muitos dizem por ai: ”Não é comigo então deixa.”

Não sei por que me irrito com a injustiça. Por que tomo a causa dos outros como minhas. Por que falo o que penso quando me perguntam, se quando perguntam nunca querem ouvir o que tenho pra dizer.

Não sei por que eu tenho essa de querer ser sincera e expressar, se a maioria das pessoas preferem se enganar com coisas falsas.

Eu nem sei por que to escrevendo isso!

Porque se tem uma coisa que sei, é que não consigo deixar pra lá o que tenho como verdade, o que tenho como sinceridade, a minha opinião, meus pensamentos... e acabo me dando mal.

Não consigo ser indiferente a tudo isso.

(J.L.)




É o peito incomodado

Pelo silencio forçado

Que chora calado

E sofre inconsolado

Não sei por que me dói ainda

E não há o que fazer

Porque mesmo que os dias passem

Não se apaga a dor em meu ser

E tudo fica assim

Descolorido e sem som

Só ele grita

E toda noite vou dormir

Ouvindo seus gemidos

Imaginando que amanhã vai passar.


(J.L.)



Eu gosto das coisas bem feitas

Por isso dedico-me a fazê-las bem

Não fico buscando os erros

Para depois perder tempo arrependida

Martirizando meus pensamentos

Busco acertar no que depende de mim

Não perco tempo com coisas que julgo errada

E se erro nas minhas escolhas, acredite

Eu não repito o mesmo erro duas vezes

Uma vez já me basta

Que me venha outro, não o mesmo

Não adianta insistir no que não leva a nada

Há uma lição em cada situação

Faço o que julgo certo

Ei de errar sim

Mas não há nada mais medíocre para mim

Que viver cometendo as mesmas besteiras

Por não se permitir tirar as lições

A vida não é momentos de impulsos

Vividos a qualquer custo, de qualquer jeito

Vida é o respeito pelo próprio eu

Que se estende aos outros.


(J.L.)



A gente sabe quando uma pessoa é sensível, quando ela não ri dos teus problemas. Certo que existem alguns problemas que o riso é inevitável, mas ri dos sentimentos, das indagações e questionamentos não.

Rir nesses pontos, ao menos para mim, é indelicadeza das grandes, um Q de superioridade, menosprezando a situação vivida pelo outro e que, sem muita noção e percepção, julga-se apto para opinar com “clareza”.

Sensibilidade é justamente sentir a dor do outro, as incompreensões, as culpas, é sentir-se parte do outro e só ai perceber o quão difícil é a situação ao qual se encontra, é quando não há aversão ao que você diz, porque o que você diz é o que está em você e não o que o outro pensa, deseja ou espera que seja.

É muito fácil olhar a vida do outro de fora e ditar conceitos, regras e opiniões. Só sabe mesmo é quem vive, e os demais são espectadores que muitas e muitas vezes não estão atentos, não sabem um terço da história, nem perguntam, nem interpretam, porém, querem ter razão por verem pequenos flash’s e a julgarem a parte pelo todo.

Sensibilidade é o que te torna apto a ser um bom amigo e um bom ouvinte, pois os bons amigos não irão rir das suas necessidades, ele as perceberá antes mesmo que possa falar, porque há uma fusão entre ambos ,ou então, se não conseguir captar antes, ele escutará teus desabafos, olhará nos teus olhos e mesmo que não diga nada, uma palavra amiga, ou um sermão necessário, ele dará a importância necessária aos teus sentimentos.

E é preciso a contrapartida também, a sensibilidade é honesta e se você não quer escutar, irá transformá-la em qualquer outra coisa que não te permita enxergar o obvio porque a visão nessa questão, é o terceiro olho, precisa ser centralizada.

(J.L.)



São os versos um alivio

Quando a alma grita

Quando a tristeza invade

Sem saber começo a escrever

Sem me importar com formas

Quero mesmo é espairecer

Nas linhas há liberdade

Sinto-a deslizando nos dedos

Nas rimas

Não me importo com nada

Nem com quem possa ler

Dificilmente alguém vai entender

Versar me esvazia

E me domina

Minha poesia, vida minha.


(J.L.)



Se se foram as lembranças do nosso amor

Se o tempo de ti tudo apagou

Se o sonho não se consumou

Que poderei fazer?

Se não houve o que esperar

Se nossas mãos não podem mais se juntar

Nem nossos lábios se aproximarem

Que poderei fazer?

Nem um dia se quer deixei de pensar em ti

E cada noite a chorar sem ti

Sem nenhuma esperança para nós

Nada pude nem poderei fazer

Que me venham os dias e noites

Sem ti, hei de morrer.

(J.L.)




Que coração traiçoeiro

Tanto que busca e não consegue encontrar

Se tivesse mãos não saberia segurar

Se tivesse pés não saberia andar

Que coração traiçoeiro

Tanto que sonha e não consegue realizar

Se tivesse boca não saberia falar

Se tivesse mente não saberia pensar

Que coração traiçoeiro

Tanto que quer e não consegue ter

Se tivesse ouvidos não saberia escutar

E se ele mesmo tivesse coração não saberia amar

Que coração traiçoeiro!



(J.L.)



Acreditaste em vão

Nas palavras soltas

Ditas para enganar

Vestes de hipocrisia

Mascaras para enfeitar

Apenas para se aproveitar

Que te cegam com inocência

Fingindo um espírito nobre

Uma certeza camuflada

Uma realidade inatingível

Acreditavas em que afinal?

Na voz que se dava por certa?

Era só mais uma mentira

Que por fim, sempre se revela.



(J.L.)




Como criança Senhor

Corro para os Teus braços

Onde sei que estou segura

Choro tudo que tenho que chorar

De dor que aqui dentro não quer parar

Tenho tanto para te falar meu Pai

Mas hoje, hoje eu quero chorar

Deixar as lágrimas correrem

E meu coração desesperado em ti se aquecer

Conhece-me Senhor

E eu tão pouco sei de mim

Angustia-me o amanhã e o ontem

E hoje sinto-me tão fraca

Fica comigo Senhor

Mais que tudo preciso de Ti

Venha me fortalecer

Perdão!
Porque muitas vezes fico sem direção...


(J.L.)



Fecho os olhos

Escuto o que vem de dentro

Pensamentos que se formam

De uma saudade

Uma distância

De um amor que vive

De um coração que sente falta

E faz versos que escorrem nos olhos.


(J.L.)




Sabe quando você se sente fora do mundo?

Muita coisa já não me cabe e fica difícil tentar entender

Ou então eu sou séria demais?!

Eu não sei brincar de ser amiga muito menos de amar

Eu não sei brincar de trabalhar nem de estudar

Eu não sei brincar de religião nem de fingir puritanismo

Não sei brincar de assumir responsabilidades sem tê-la

Nem brincar de fazer esforço sem levantar uma palha

E isso não quer dizer que eu seja a mulher mais séria que existe

Isso quer dizer que eu levo as coisas importantes a sério.

Nada mais!


(J.L.)



"Não devemos esperar que os outros
expressem um grau de maturidade
que talvez nem nós mesmos ainda
o alcançamos."


(J.L.)



Tudo que o recordava

Agora estava ali diante dela

Pegando fogo

As cartas, o urso,

As poesias, os cartões...

Seus olhos também se consumiam em ódio

Seu coração já havia queimado

O vinho foi seu aliado

Nada mais restava

Tudo agora era cinza

Como o amor que um dia lhe jurou.


(J.L.)




"Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho."

(Alberto Caeiro)





O tempo não está ao nosso favor

O tempo vai...

Independente de mim e de você

Tudo girando, o Mundo acontecendo

E a gente adiando o amor, a paz, a verdade...

Quando pensares em fazer algo bom

Não percas este tempo

Deixar para amanhã as alegrias de hoje

É adiar a felicidade de agora que pode se multiplicar

Do amanhã nada sabemos

E o que levaremos, se levaremos

É o que hoje fizemos e vivemos

Faça um favor ao tempo

De não deixar a vida ficar sem tempo.


(J.L.)



Naquela praia eu ancorei meu barco

Exausta de toda a viagem

Pareceu-me bom descansar ali

Tu me vinhas perfeito

Apresentando-me toda beleza

Da ilha exposta, dizia

Eu navegante inexperiente

Encantada com as formas

Nas palavras me agarrei

Veio a revolta das marés

Que não me incomodavam

Eu já estava decidida

Amar-te , amar-te

Era o que eu queria

Não importava ventania

Lutei bravamente

Lutei todos os dias

Lutei sozinha

Eu queria permanecer ali

Tive de voltar ao mar

Depois de tanto me enganar.


(J.L.)



Passem as horas neste relógio
Que já não me aguento de saudade
De ouvir tua voz
De sentir teu abraço

E ouvir teus risos simples
E tocar tua nuca
Beijar-te apaixonadamente
Deixando meu coração falar

Que tanto te ama
Que ama te amar
Que é tão bom contigo está

Passem as horas neste relógio
Que eu quero te encontrar
Para te amar.

(J.L.)



Na triste chegada da noite
Que me aperta as lembranças
Dos sonhos desfeitos
Das esperanças perdidas


Vejo um eu calado
Na solidão
Ainda sem muito entendimento
E cheio de interrogações


Entregue ao tempo
De dias e mais dias
De noites em claro


Coberta apenas pela tristeza
Do vazio que agora habita
No peito partido.


(J.L.)



"Deixa meu coração chorar
Deixa ele se esvaziar
E se por acaso cansar
Deixa ele morrer de amar."

(J.L.)




São essas coisas loucas que acontecem
Quando você não consegue esconder
Quem você é e quem deixou de ser
Para tentar explicar e outro compreender

Tudo vai mudando
E hoje já não sou o que fui ontem
E muitos insistem no passado
Enquanto que eu já avancei mais um passo

Na direção do infinito eu vou
E para quem é meu amigo
Não está obrigado a concordar comigo

Há algo que eu desejo e vou encontrar
Más lembranças ficarão pra trás
Eu quero mais sem tanto faz.


(J.L.)


Atrás da porta
Guardo os meus sapatos
Na gaveta do armário
Coloco minhas roupas
Na estante da sala
Vejo muitos livros
E a geladeira conserva o sabor das refeições
Minha casa é meu reino

Mas eu preciso de outros sapatos
De outras roupas, outros temperos
Para formar minhas ideias e meus sentimentos
Eu sou a soma de tudo que vejo
E minha casa é um espelho
Onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas
Sem saber porque

É porque trago tudo de fora
Violência , dúvida, dinheiro e fé
Trago a imagem de todas as ruas por onde passo
E de alguém que nem sei quem é
E que provavelmente eu não vou mais ver
Mas mesmo assim ela sorriu para mim
Ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino

É porque trago tudo de fora
E minha casa é um espelho
Trago a imagem de todas as ruas
Eu sou a soma de tudo que vejo
Mas mesmo assim, ela sorriu pra mim
Ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino


ÍTACA

Konstantinos Kaváfis
(Trad. José Paulo Paes)

Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrará
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
nas quais, com que prazer, com que alegria,
tu hás de entrar pela primeira vez um porto
para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir:
madrepérolas, corais, âmbares, ébanos,
e perfumes sensuais de toda a espécie,
quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egito peregrina
para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
e fundeares na ilha velho enfim,
rico de quanto ganhaste no caminho,
sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.

Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.