Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Estavas ali, no vasto vazio da vida que adentrou. Não olhava mais à frente, só queria aquietar-se, suas pegadas perderam-se pela neve que caia e tornava mais frio os caminhos. Não mais queria o passado, seu olhar era distante, tal qual tudo que se foi, tudo que não conseguiu deixar ficar. 

O passo ficou devagar e quando deu por si não mais avistava os motivos pelo qual deveria prosseguir pois deixou tudo passar pensando que sempre estariam lá. Abateu-se! Ele que sempre acreditou que tudo podia, vacilou na audácia de ter o que queria, ficou inerte, na sua infeliz covardia.
 
Não mais teria o futuro porque ele virou presente e passou tão rápido que foi incapaz de perceber que o tempo tão logo passa e se não se caminha lado a lado certamente alguém ficará para trás. Mas o que era o futuro agora? Se não a morte que o espreitava. A morte da alegria da companhia que perdeu-se sem destino? A morte da coragem que não soube ousar? A morte do sentimento que nem conseguiu aproveitar?

 
Habitava a estranha tristeza que pensava não ser vista e se era dos olhares que temia, pelos olhares tornou-se algoz de si, preso no comum delírio dos julgamentos a que deu voz.
E ali permaneceu, tinha raça, mas não soube ser feroz. 


(J.L.)


Eu sinto saudades de ti
Saudades do teu abraço que me aconchegava
Da tua compreensão que não interpelava meu silencio
Do teu amor tão meu, tão puro
Que bastava estarmos ali, no abraço

Tínhamos a inocência dos amantes
Que se queriam e se buscavam
Os esforços naturais eram nosso sim
Nos buscávamos  nas mãos que queriam sentir-se
No olhar que via além de nós mesmos

Eu sinto saudades de ti
E esse mundo é tão avesso a mim
Procuro por quem me encontre
Como me encontravas ao fitar-me
A observar-me cantar acompanhando-me desafinado

Sou agora desassossego que não encontra abrigo
Por mais que não tenhamos feito promessas
Tua partida deixou um vão
Sem teu amor que me aceitava como sou, virei solidão
Não há quem preencha teu lugar em meu coração.

(J.L.)




Fiquei ali, sentada
Sentindo o cheiro da chuva
Envolvida em pensamentos
Deixava-me tocar pelas gotas frias

Sentia tua ausência
Arrepiava-me a pele
De tantas sensações incompreendidas
Recordava teu abraço

Estavas longe
Meu coração queria aquecer-se
Sentia solidão
A certeza de que nada mudaria

O Amor era meu
Alimentava-se das lembranças
Dos pequenos momentos
Dos quais não mais terei

Não estais mais aqui
Você se foi
E eu fiquei
Vagando em noites solitárias.

(J.L.)


Como tens me acompanhado
Ó minha grande amiga
Penso como seria meus dias sem ti
Sem a compreensão com que aténs-te

Conhece-me tão bem
E tenho encontrado consolo em minhas noites
Quando devolves para mim
As intensas angústias vividas

Tens me ensinado a ser forte
A andar sem esperar tanto
A viver como quem sabe do destino
A não contar, quando não se tem com quem contar

Tens chorado comigo
Quando dói alguma dor
Em silencio ou em algum lugar escondido
E depois, mostra-me o que é preciso

Tenho sobrevivido aos percalços
E suportei quando achava que não
Há quem te rejeite, mas eu
Sou tua amiga, Solidão!

(J.L.)




Ninguém imagina a dor que um coração pode carregar
E poucos, muitos poucos poderão ver além
Do riso forçado na boca
Do brilho opaco no olho de alegria

Ser forte talvez seja ser assim
Não deixar transparecer os ecos do coração
Esquecer até mesmo um pouco de sua dor
Para estender a mão ao outro

Porém confesso, há dias torturantes, cortantes
Que queríamos gritar, por pra fora, externar
Mas nos recolhemos naquele canto
Com nossos pensamentos apenas

E procuramos a solidão que se faz companheira
Entendendo a nós mesmos em nosso deleite
Derramando as lágrimas em silêncio até a exaustão
Para no amanhã travar uma nova batalha.

(J.L.)




Faça sol ou faça chuva
E meu coração trancado
Submerso em solidão

Diria que tua falta me consume
Que a distância entre nós me corrói
Que a saudade me entristece

Não é que não sei viver sem ti
Que entenda meu coração isso
É que viver assim, sem ti, perdeu a graça

E tudo é apenas rotina
Do que preciso fazer pra continuar vivendo
Respirando sem viver.

(J.L.)





Hoje  com todas as complicações que tive
Percebi que será assim
Será sempre eu , sozinha
Ou algum amigo que me ajudará
Na medida possível

Confesso que chorei por estar só
Mas não tinha escolha
Eu precisei ser mais forte
Para chorar minha solidão
E a consciência da mesma

Um filme passa pela cabeça
Deus sabe como está meu coração
Mas nem quero pedir nada
Já cansei das frustrações
De esperar o que não podem me dar

Eu sei que sou muito diferente de tudo isso
Alguma razão deve existir
Que eu aprenda Meu Deus!
Estou só
Mas que eu veja quem me estende a mão.

( J.L.)





Na triste chegada da noite
Que me aperta as lembranças
Dos sonhos desfeitos
Das esperanças perdidas


Vejo um eu calado
Na solidão
Ainda sem muito entendimento
E cheio de interrogações


Entregue ao tempo
De dias e mais dias
De noites em claro


Coberta apenas pela tristeza
Do vazio que agora habita
No peito partido.


(J.L.)


"E hoje foi apenas assim
Eu e o infinito de mim..."

(J.L.)



Hoje dediquei-me mais ao silêncio

Nenhuma palavra

Nenhum sorriso

Apenas o olhar perdido

Viajando nos pensamentos

Deixando a lágrima cair

Sem secá-las

Por medo que alguém veja

Trancada no meu canto

Na minha tão presente solidão

Sem ver o sol

Apenas o clarão lá fora

A noite chegou sem demora

E eu perdida em mim

Procuro silenciar a dor

Que já cansou de esconder-se.


(J.L.)




"Sou a distância que perto queria estar
O abraço sozinho
Sem carinho a reclamar
Sou o olhar perdido
A solidão do triste amar."

(J.L.)




E tudo se vai

E muito fica no passado

As vezes tenho saudades de mim

As vezes não tenho saudade de nada

Fico a mercê da escolha

Quero ir mais além

Onde não me prendo a ninguém

Onde detenho certo porém

Vou-me

Por vezes cansada e fadigada

As vezes forte como a correnteza

As vezes choro de tanta fragilidade

Não devo parar

E é difícil andar

Onde os pés desejam descansar

Onde a esperança esquece de florar

A vida passando

E eu saindo de mim

As vezes fugindo

Onde não devo encontrar-me.

(J.L.)



Estava sentada, sozinha a beira mar
Olhando para a lua tentando descobrir os seus mistérios
Pois ela estava tão longe e tão nítida
E eu estava tão perto das pessoas e me sentia tão apagada, tão solitária.
Ah, lua!
Essa noite clara fez-me parar para pensar
Que sou solitária porque não procuro viver de forma brilhante
Que nem uma noite de luar
Escura, mas nessa escuridão uma luz
Uma luz que cativa a todos!
( J.L.)


"É quando me vejo em meio a tudo

Que percebo quão nada sou."

(J.L.)





Tem dias que parecem insuportáveis e nossas forças esgotadas...

Que se chora muito ou que não se chora nada

Que se pensa muito ou não se pensa nada

Porém, pesa

Tanto o muito quanto o nada...

Tem dias assim!

E logo depois descobrimos que este estado passa

E deixa mais um aprendizado...

São dias de aluno em estudo solitário!

(J.L.)




Quarto cansado das minhas lágrimas

Eu cansada de mim

Saí em meio a esta madruga

Queria ar puro

Ar puro disse eu?

Não se pode respirar o que não se sente mais

Sinto-me asfixiada por dentro

Queria ver alguma forma de vida

Porém só via a triste madrugada

A triste avenida, silenciosa como eu

Andei...

Pés descalços naquele asfalto

Um frio vento, tanto quanto eu

O rosto molhado

E o caminho que fazia era marcado pelas gotas que escorriam

Sentei...

Naquela calçada perdi meu olhar no nada

O coração era como que esmagado

Era como se não existisse mais

Como se conhecesse a própria morte

O pleno vazio

Passou um conhecido que disse:

“O que faz ai menina?”

Não respondi e ele continuou sua caminhada

É, eu era uma menina já fadigada

Nem vi as horas passar

E o tempo já não me preocupava

Não fazia sentido algum

Voltei...

Em casa tudo normal

Só havia uma coisa estranha

Eu mesma

Com a cabeça ao travesseiro

Que agora servia como lenço

Pensei...

Dorme menina

Porque mais tarde

É hora de brincar de viver


(J.L.)


De longe eu fico

E é escolha própria

Já cansei de estar por aí

Não quero mais mostrar-me

Eu prefiro meu canto

Lá eu medito

Eu leio, escrevo, choro

E ninguém pode ali me encontrar

Fico sem falar

Sem cantar, nem dançar

Só dança quem consegue se alegrar

Eu prefiro silenciar

Virei ostra no vasto mar

E não me tenho saudade

Na tentativa de criar a preciosa pedra

Eu prefiro meu canto.


(J.L.)




Acordei pelos sons dos fogos
O povo festejava lá fora
Haviam pessoas felizes
Ou ao menos fingiam

Pode ser que a esperança os alegrasse
O festejar de um data religiosa
De quem espera uma mudança
Sem fazer esforço para mudar

Como eu não tenho o que esperar
Nem caras para fingir
Eu fiquei no meu canto aqui
Com aquele velho vinho

Uma taça para mim
Outra para minha amiga
Brindamos mais uma vez
Eu e a solidão.


(J.L.)