De repente muita coisa se vai
Para em algum lugar
E quando me perguntarem eu direi: Pude não ter sido feliz, mas tentei...

Vou escrevendo a vida
Rimando os traços passados
Vou deixando as marcas
E fazendo versos a cada passo
Deixando recordação
Imaginando mais sonhos
Sufocando algum amor
Compondo também a dor
Vou e fico em linhas
Carregadas de tantos sentimentos
Umas expostas a muitos
Outras recolhidas ao intimo
Às vezes me toma tamanha ausência
Consumindo algum talento
Que fere e é tormento
Que não escrevo e é silêncio.
(J.L.)

É o peito incomodado
Pelo silencio forçado
Que chora calado
E sofre inconsolado
Não sei por que me dói ainda
E não há o que fazer
Porque mesmo que os dias passem
Não se apaga a dor em meu ser
E tudo fica assim
Descolorido e sem som
Só ele grita
E toda noite vou dormir
Ouvindo seus gemidos
Imaginando que amanhã vai passar.
(J.L.)

Este silêncio que me abraça
E me acolhe sem igual
Que recolhe minhas lágrimas
No leito desde seu início
Eu não quero mais tumultos
Nem risos extravagantes
Nem aglomerado de pessoas
Nem aparições
Este silêncio já me pertence
E não só as noites vêm visitar-me
Desde o amanhecer já sinto seu afago
Às vezes ele me doe
Mas não existem outras formas de reviver
Silenciar e depois morrer.
(J.L.)

Hoje dediquei-me mais ao silêncio
Nenhuma palavra
Nenhum sorriso
Apenas o olhar perdido
Viajando nos pensamentos
Deixando a lágrima cair
Sem secá-las
Por medo que alguém veja
Trancada no meu canto
Na minha tão presente solidão
Sem ver o sol
Apenas o clarão lá fora
A noite chegou sem demora
E eu perdida em mim
Procuro silenciar a dor
Que já cansou de esconder-se.
(J.L.)

Meu silêncio grita
Na palavra que não é expressada
Na lágrima retraída
No olhar furtivo
Meu silêncio grita
Na escuta não entendida
No pensamento repudiado
No instante recriminado
Meu silêncio grita
Nas rimas da poesia
Nos versos soltos
No peito sufocado...
(J.L.)