Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!





Ela tem tudo oposto
Aquele jeito de rir muito e rir alto, de falar sem delongas, falar o que quiser sem se importar com o que os outros pensam
Ela tem o jeito aventureiro de que topa tudo e depois ela disfarça, se atreve, mas também se recolhe
Ela sabe onde quer pisar, sonha, mas tem pé no chão
Ela tem o melhor humor, aqueles bem bobos e  para zangar é daqui para ali e da mesma forma se apressa em fazer as pazes
Ela gosta de poesia e não é romântica
Ela gosta de música, de cantar, mas se envolve em muitos silêncios
Ela tem tantos contrários de si mesma e de mim
Às vezes ela quer ser dura, mas seu coração é mole, não demora em fazer favores para agradar
E ela tem algo mais que me encanta, é aquilo que fica escondido no seu olhar, que não sei decifrar, que me deixa a sensação de que se eu não tentar ela me devora, como a esfinge. Na verdade, tenho a sensação de que ela me devorará de qualquer jeito.


(J.L.)


Neste coração meio desajeitado você quer entrar
Vai desculpando moço
Mas já não ajeito a algum tempo
Não me foi mais tão necessário

Ficou assim desorganizado
Meio despreparado
Por isso costuma ficar trancado
Ficou tudo muito jogado

Agora tô meio desnorteada
Querendo te receber
Mas nem sei se posso
Nem sei se devo

Se tem coragem
Dê-me uma mão
Entra aqui e vem ajudar
Mas não reclama

Tudo podemos por no lugar
Se você encarar
No final te ofereço café
Regado de muitos cafunés.

P.S. Todos os dias!


(J.L.)






De repente a gente sente falta de alguém, alguém para nos escutar, nos abraçar, nos dar aquele colo quando birramos.

Alguém para rir das nossas bobagens, falar das nossas vitórias, contar sobre nossos anseios, dividir os sonhos.

Alguém para ouvir músicas, cantar alto e desafinado, colar o rosto um no outro e dançar até uma valsa imaginária, de olhos fechados, sem se importar com nada.

Alguém para assistir tv, questionar preferencias de canais e programações, por um filme e fazer uma pipoca com direito a beijinhos rápidos ou ir ao cinema sem ter programado, tirar par ou ímpar para quem decide qual filme e deixar as horas passar de mãos dadas.

Alguém para ligar cedinho, desejar bom dia e no fim do mesmo perguntar como foi escutando atentamente todos os prós e contras do dia-a-dia e depois do encontro noturno ouvir o toque especial do celular, mesmo tendo acabado de ver um ao outro, mas a saudade bateu forte e ainda queremos ouvir a voz e dar mais de dez boas noites porque nenhum tem coragem de desligar primeiro.

Alguém para dar aquela força na fossa, levantar nosso animo, ter lá os desentendimentos e depois fazer as pazes dando todos os carinhos negados em uma hora de cara feia.

De repente a gente sente falta de alguém, que não tem nome nem sobrenome, que ainda não conheceu e se conheceu ainda deve tá um chove num molha que as vezes é irritante porque alguém quer ser feliz, mas alguém não tem coragem, daí alguém fica assim, só sentindo falta...


(J.L.)


Há quem reclame por envelhecer, já eu me regozijo. É grande a alegria de poder chegar a essa altura da vida e aqui o que menos me importa é idade, sei tantas coisas sobre mim mesma, adquiri tantos aprendizados que me são valiosos e ponho-me ainda como aprendiz porque há tanto para descobrir, há tanto ainda para viver...
Valeu cada momento, bom ou ruim, tudo me fez ser quem sou, cada um me desenvolveu, cada um me leva a oportunidade de mudança e aprimoramento. Essa vida tem seus altos e baixos e posso dizer claramente que me encontro em paz, mesmo com as dificuldades, mesmo com alguns sonhos interrompidos, mesmo no meu solitário silencio ou na minha desvairada expansividade cheia de caras e bocas, mesmo nas minhas contradições. A paz que trago aqui, eu a perdi tantas vezes, mas hoje, hoje ela me acompanha de forma amena, eu a plantei em cada pensamento destruidor que quis me dominar e duvidar de minhas capacidades, eu a plantei em cada crítica a respeito de quem sou e como sou, eu a plantei em cada sentimento que não me fez bem e oprimiu meu coração e a cultivo todos os dias, desde o acordar ao dormir, eu não me incomodo com coisas pequenas...
Trago em mim sorrisos aos montes, com a calma ou com a euforia precisa, trago minhas exigências claras porque os anos passam e a gente fica mais exigente sim e ainda tenho uma lista de sonhos que pacientemente vou tentando conquistar. Sei que ainda terei frustrações, mudarei rotas, chorarei, ficarei solitária, amigos me consolarão, chutarei o balde e muitas vezes terei que pegá-lo de volta, é assim a dinâmica da vida... Eu sei!
E nisso tudo me resguardarei com abraços, com as mãos que se estenderão a mim, com o abrigo da minha consciência, não tenho interesse em desinteresses, quero manter minha paz, minha tranquilidade, quero o horizonte, os anos por vir, amar minha vida e fazer dela uma história boa para se contar. Não tenho do que reclamar não, a verdade é que há muito para agradecer.
Agradeço Vida minha, pelos anos correntes que pude respirar.

(J.L.)

P.S. Vida, aceito todos os seus abraços e apertos.