Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!





O tic-tac do relógio devora tudo em questão de segundos. A vida é restrita nessa limitação de que não sabemos se temos tempo. Às vezes pensamos e nos engamos achando que o teremos.

Esse Doce engano que tantas vezes nos impede de sermos melhores hoje, de fazermos o bem agora, de submergirmo-nos na cultura do ter, do poder, quando nem sabemos se teremos tempo para amar quem não soubemos amar, dar valor às coisas que verdadeiramente são importantes na vida.

Não tarde as boas atitudes, os bons sentimentos e esse querer viver para ser e fazer feliz as pessoas que estão ao nosso redor. Minimize os detalhezinhos supérfluos, exigentes e até mesmo aquele oportunismo de querer se dar bem à custa dos outros sem lhe dar os méritos. 

Faça brotar hoje os risos, não deixe para amanhã não. O amanhã é utopia, dádiva maior para fazermos um pouco mais, aquilo de bom que não deu pra concluir no dia anterior. Não percamos o hoje, o tão agora inusitado e desconhecido, que nos traz inúmeras oportunidades que não conseguiremos enxergar se fitarmos mais nas incompreensões, na raiva e tantos outros infortúnios que nos tiram a possibilidade de sermos melhores.

E não é que isso seja repetitivo, clichê ou outras coisas, pensar enganador esse, que impedem nossos pensamentos mais evolutivos e altruístas, nosso ser, nosso  fazer ou aquela experiência que nos deixa cheios de nós mesmo, de “tanto” conhecimento recheado de petulância nos deixando tão superiores a ponto de nos ludibriarmos com mascarás de humildade.

A verdade é que podemos ler inúmeros texto sobre o tal do “ precisamos mudar” mas se não quisermos mudar, vamos continuar na mesma, cheios das teorias mutantes e nunca aplicadas e aquelas velhas reclamações de que nada dá certo ou de que o mundo parece está contra nós, a verdade é que o tempo não espera por nós, nós é que devemos nos atentar a ele enquanto o temos e ele vai nos devolvendo cada ação realizada. Reconhecermos isso é crucial.

Aproveite o tempo que tem agora. Pense! Reflita!
Eu sei que posso mudar, ser um pouco melhor do que fui ontem, às vezes eu não sei como, não tem receita, é por isso que podemos errar e tentar de novo, e podemos superar as nossas próprias expectativas. A gente só tem mesmo é que dá o passo e seguir e deixar que esse amigo Tempo nos permita ficarmos experientes a ponto de sermos bons exemplos.

(J.L.)





Escrever me tira tantos sentimentos vividos, observados, aprendidos, proibidos, conservados, pensados, labutados, impregnados, constantes, limitados...

Escrever me renova, me enche, me esvazia...

É sempre uma controvérsia, não sei se é da poesia ou do poeta!

Escrever às vezes dói, às vezes liberta, às vezes sufoca, às vezes é nada mesmo!

Só sei que escrever é necessidade, de expor o que muitas vezes não cabe em mim, mas cabe em linhas.



(J.L.)


Às vezes vamos para longe, tentando minimizar alguns porquês, mas nada nos abandona se assim não permitirmos. A alegria não nos abandona se queremos ser alegres, a tristeza não nos abandona se queremos ser tristes, como também o amor não o encontraremos se não o reconhecermos nos pequenos gestos.

Às vezes vamos para longe, pensando que teremos as coisas que ainda não temos no lugar que estamos e vamos nos distanciando mais ainda de quem somos verdadeiramente.

Podemos ir a qualquer lugar e tudo continuará do mesmo jeito da mesma forma. Se não estivermos abertos a novas cores, a novos aromas que adianta ir ao campo?

Nossos sentidos precisam sentir mais, não para sermos mutantes sem limites, mas para aprendermos os gostos e aquilo que nos proporciona melhorias.

A mente precisa respirar o que as narinas inalam, precisa observar o que os olhos veem, precisa tocar o que as mãos apalpam, ouvir o que talvez as palavras não dizem, apreciar o que a boca degusta,   precisa compreender o que o coração sente, não apenas pela propriedade, mas pela experiência que permite mais e melhores escolhas.

(J.L.)


Esse amor que invade o peito
Que briga com a razão
Que enfrenta os riscos
E se joga sem noção

Que quer sentir o abraço
O aperto de mão
E entre o olhar furtivo
O acelerar do coração

Que planeja a ação
Que se perde e resgata com emoção
E se aquece no momento
No único ato de atenção

Esse amor, amor
Livre de pressão
Que se a gente entende
Entende que não faz mal não.

(J.L.)



A gente tem saudades daqueles tempos de outrora
Quando não precisávamos nos preocupar com muitas coisas
Quando ainda não tínhamos nossos corações partidos por alguma decepção
E a vida era tão fácil, tão alegre, tão leve

A gente não entendia muito de política
Acreditava em tudo, tínhamos esperanças
Cantávamos o Hino Nacional nas escolas
Brincávamos livremente nas ruas e era tão seguro

A gente tem saudade de quando podíamos sentar à frente de nossas casas
Para conversar com um amigo vizinho
Ou fazer visitas e enviar cartas para contar as novidades
E isso não nos tornava indiferentes ao outro

A gente tem saudade não é do passado não
A gente tem saudade é de gente mesmo
Das honestas, das verdadeiras, das que se preocupam com os outros
Das que não criam tensões, das que sabem pelo que estão lutando
Das que querem o seu bem e o bem dos outros

É disso que a gente tem saudade!


(J.L.)


Se nada fosse possível
Nós o faríamos mesmo assim
Não tem como explicar

Às vezes é querer
Às vezes é perigo
Às vezes é indescritível

O nós, é um pensar oculto
É um viver de risco
É uma liberdade que prende
É uma compreensão na cumplicidade
No momento, no qualquer dia

Tentar explicar para que?
Qual de nós poderia dizer?
Fica assim entre nós não explicito
Aquele subtendido que nem mesmo a gente entende.


(J.L.)



Gosto de minha companhia
De estar comigo mesma
Com meus pensamentos
Minhas ideias

Gosto do agitado da minha vida
E também da sua calmaria
Que me esforço para ter
Aquela solidão tranquila

E me apego ao meu silencio
Tão profundo
Tão meu
Tão incógnito

E transcendo dentro em mim
Como quem se esconde e se revela
Sendo fácil ou difícil
Há quem ache e há quem não me encontre.

(J.L.)