Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Vou escrevendo a vida

Rimando os traços passados

Vou deixando as marcas

E fazendo versos a cada passo

Deixando recordação

Imaginando mais sonhos

Sufocando algum amor

Compondo também a dor

Vou e fico em linhas

Carregadas de tantos sentimentos

Umas expostas a muitos

Outras recolhidas ao intimo

Às vezes me toma tamanha ausência

Consumindo algum talento

Que fere e é tormento

Que não escrevo e é silêncio.


(J.L.)




É o peito incomodado

Pelo silencio forçado

Que chora calado

E sofre inconsolado

Não sei por que me dói ainda

E não há o que fazer

Porque mesmo que os dias passem

Não se apaga a dor em meu ser

E tudo fica assim

Descolorido e sem som

Só ele grita

E toda noite vou dormir

Ouvindo seus gemidos

Imaginando que amanhã vai passar.


(J.L.)



Este silêncio que me abraça

E me acolhe sem igual

Que recolhe minhas lágrimas

No leito desde seu início

Eu não quero mais tumultos

Nem risos extravagantes

Nem aglomerado de pessoas

Nem aparições

Este silêncio já me pertence

E não só as noites vêm visitar-me

Desde o amanhecer já sinto seu afago

Às vezes ele me doe

Mas não existem outras formas de reviver

Silenciar e depois morrer.


(J.L.)




Hoje dediquei-me mais ao silêncio

Nenhuma palavra

Nenhum sorriso

Apenas o olhar perdido

Viajando nos pensamentos

Deixando a lágrima cair

Sem secá-las

Por medo que alguém veja

Trancada no meu canto

Na minha tão presente solidão

Sem ver o sol

Apenas o clarão lá fora

A noite chegou sem demora

E eu perdida em mim

Procuro silenciar a dor

Que já cansou de esconder-se.


(J.L.)




Meu silêncio grita

Na palavra que não é expressada

Na lágrima retraída

No olhar furtivo

Meu silêncio grita

Na escuta não entendida

No pensamento repudiado

No instante recriminado

Meu silêncio grita

Nas rimas da poesia

Nos versos soltos

No peito sufocado...


(J.L.)




"É verdade, eu me calo diante do ser
incompreendido que não tem compreensão."

(J.L.)



Meu silêncio me ensinava a ti amar

Quando me recriminava com suas indagações

Quando mostrava meus tropeços sem olhar os teus

Quando eu olhava na esperança de que pudesse olhar para ti mesmo


Meu silêncio me fez assumir culpas

Quando julgava meu jeito, meus modos

Quando proferia palavras duras e esperava reação

Quando não estava certo mas não queria estar errado


Meu silêncio olhava perto, tímido

Quando só queria evitar brigas e aproveitar o tempo

Quando sabia que não adiantava falar

Quando não sabia como devia me portar


Meu silêncio me calava sempre

Quando eu sabia que amava tanto

Quando o coração chorava por tê-lo como incompreensivo

Quando apenas queria ser feliz sem enfatizar teus erros


Meu silêncio me calava sim

Por renunciar muito de mim

Porque o que bastava era amar e não me ligar a defeitos

E amar não bastava para quem se achava tão perfeito.

(J.L.)




De longe eu fico

E é escolha própria

Já cansei de estar por aí

Não quero mais mostrar-me

Eu prefiro meu canto

Lá eu medito

Eu leio, escrevo, choro

E ninguém pode ali me encontrar

Fico sem falar

Sem cantar, nem dançar

Só dança quem consegue se alegrar

Eu prefiro silenciar

Virei ostra no vasto mar

E não me tenho saudade

Na tentativa de criar a preciosa pedra

Eu prefiro meu canto.


(J.L.)