Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Aquele papo de “ Faço tudo por você” não é cabível no Amor. Da boca pra fora todo mundo diz o que quer,  quero ver enfrentar os percalços, saber aparar as arestas, manter o foco, superar distancia ou saudade, sem capricho algum, mas por ter a certeza do sentimento que disse que tem.

Que amor existe quando o outro se rende a um misero galanteio, rostinho bonito ou velha desculpa de que foi “tentação”? Que amor existe quando não se respeita nem o sentimento que se disse que tinha, quanto mais o sentimento que o outro possa ter.

Cada vez tenho mais convicção da banalização do Amor. Dois dias namorando alguém e já ta escrito em todas as redes sociais que se ama eternamente, que muitas vezes não dura nem seis meses e com términos em ódio. Não houve conhecimento suficiente para aprender um pouco se era amor, mas tava escrito e depois, ah depois sabe-se lá o que a mente absorve de tal relacionamento.

Quanta negligencia, de nossa parte mesmo, quando trocamos o certo pelo duvidoso, quando não sondamos o terreno, quando não dispomos de similaridades de pensamentos e principalmente quando não respeitamos o ser do outro. Quando por uma carência qualquer permitimos que estranhos entrem em nosso coração e que depois partem de forma a deixar ausências bem maiores, roubando o que há de melhor em nós.

Quantas caricaturas do amor encontramos? Quantas fazemos? Quantas admiramos? Quantas amamos?

Eu acredito no Amor e acredito que ele seja dócil, mesmo quando tantos o enfurecem, não há turbilhões, não há emoção a flor da pele, creio que haja calmaria, paciência, tranquilidade. Se o amor não te dá segurança, creio que não seja Amor. Viver incertezas é viver em desconfiança e que amor resistir a noites sem sossego?

Eu gosto de falar do Amor assim, como o sentimento mais simples que olha para o outro e está sempre em prontidão, ele não é bobo, ele é doação mas tem suas exigências, ele supera qualquer obstáculo, não mede distancias, ele é resistente, não se rende a joguinhos de sedução.

E quem pode garantir o Amor? Só quem sente! Quem não tem competência para isso, por favor, não diga que ama nem que fará tudo pelo outro. Sinceridade ainda é virtude admirável, salvou e pode salvar muitos depois.




(J.L.)



É assim, não sei fingir
Se gosto, gosto
Se não gosto, não gosto
Não sei fingir
Não preciso fingir
Botar cara de santa
Falar de voz mansa
Parecer educada para outros

Não sei ser diferente
Se compreendo, falo
Se não compreendo, expresso
Não fico esperando que adivinhem
Não preciso ser o que não sou
É muito mais fácil
É muito mais pratico

E gosto de gente assim
Que me fale também
Se fiz mal, se fiz errado
Que expresse
Que seja ela mesma
Com raiva ou com doçura
Com compreensão ou com repreensão
Mas que não precise fingir

O mundo já tem muita caricatura
Que se enfeia mais ainda
Com a péssima representação.

( J.L.)





Por que não falar de um assunto tão escasso nos dias de hoje?

Falar da sinceridade, da tão chamada Lealdade que o homem não sabe mais cultivar.

Os animais são bens mais leais que o próprio homem, possuidores talvez de sentimentos bem mais nobres que os meus e os seus embora não pertençam a classe dos racionais.

E como falar de lealdade se não falar de amor? Se não falar de amizade? Se não falar de mentira?

Ela é própria de quem tem caráter, qualidade estimada e adquirida, porque ninguém nasce sabendo de nada, tudo é aprendido. Por tanto, caráter só tem quem soube aprender a respeitar o outro e necessariamente quem respeita o outro é que consegue adquirí-la.

Logo, a lealdade só existe quando há respeito, admiração, entendimento do outro, quando isto não é base em um homem ele verga para muitas faces, sendo a pior delas a mentira, destruidora das relações humanas, matadora dos anseios e sonhos.

E o que vemos é muita gente no desfecho do deixa ver o que acontece e essa modernidade tem extinto essa qualidade vital, tão singular, de forma deprimente e vazia, num monólogo quase que universal de que seja eterno enquanto dure, não se precisa de mais nada.

Eu observo “moralistas”, formadores de opiniões com vidas duplas e promíscuas, ditando ao léu uma realidade não vivida, falando de fidelidade, de constância, de uma lealdade fingida, enganadora. É deplorável.

O que te faz pensar que alguém te vai ser leal?

A sua palavra? E qual validade tem a palavra hoje?

Te será leal aquele que sabe ser fiel com os outros, observe, o passado revela muito mais que o presente. Já dizia uma frase que aprendi desde criança: “Se você quiser sabe o que um homem pensa, não ouça o que ele diz, observe o que ele faz.” É o fazer que faz um ser.

Te será leal aquele que sabe o quão precioso é ser sincero, que não fala por canções, nem por adivinhações, aquele que sabe ser ele mesmo. Que se encontra com ele mesmo para assim poder se encontrar com os demais oferecendo o que há de melhor nele.

Vede os animais? São apenas eles, aprendem o afeto e são leais aos seus donos. Vede os homens? Racionais e bem mais dotados de sentimentos, mas repreensíveis na arte da lealdade.

Queria mesmo dizer que poucos são aqueles que possuem caráter, que é ele mesmo sem medo do que possam pensar, bom ou ruim, mas leal a si mesmo, pois só assim , este saberá ser sincero com os outros, gesto excepcional de quem sabe o valor do amor e suas ramificações.

( J. L. )