Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!





Um certo homem chamado Saulo de Tarso, perseguia os cristãos. Homem cheio de conhecimento, inteligentíssimo mas preso em suas certezas, lutador de sua causa e o certo era destruir todos os cristãos, homem que tinha o poder dos príncipes dos sacerdotes , isso era prazeroso para aquele homem, mostrar o quanto ele era temido.

Um dia, a caminho de Damasco ao perseguir seu alvo certeiro, Saulo viu uma luz forte vindo do céu que o fez cair do cavalo e escutou uma voz que dizia: “Saulo, Saulo, Por que me persegues?” Estar no chão significa descer do mais alto patamar que se encontrava para se igualar a terra, à matéria do qual ele foi criado, para se igualar aos demais homens, para descer do pódio de seus grandes conhecimentos que nada valiam, porque conhecimento que endurece o coração e dissipa a fé faz do homem uma chama de prepotência difícil de ser apagada.

Tomado de espanto Saulo perguntou: “Quem és, Senhor?” E a voz lhe respondeu: “ Eu sou Jesus, a quem tu persegues. “ E assim Saulo se reconheceu, prepotente e egoísta. Quantas perguntas Saulo deve ter feito a si mesmo naquele instante perturbador, no qual não saberia responder o porquê de perseguir a Cristo. Manchado pelo pecado da auto suficiência, do poder que ostentava, dos sangues derramados pelo sua espada, do sofrimento que causava antes de tudo no coração do próprio Cristo.

Aqui eu me pergunto, que sentimento ocupava o coração do Senhor? Ele se sentia perseguido, humilhado e ferido por aquele homem. E sua voz resoou de longe, de muito longe... Saulo a escutou. E quantos de nós estamos e até criamos esta perseguição. Cristãos a perseguirem outros cristãos, que se elevam a cima dos outros, que selam e montam seu cavalo de certezas e poder, conhecedores e merecedores da glória, mas vivem embriagados pelos prazeres do mundo, das coisas fúteis, do status de “bom cristão”, mas causadores de discórdia e sofrimento, surdos e tardios em escutar a voz do Senhor, ouvem tudo, lêem tudo, menos aquilo que diz o Senhor e há uma grande diferença entre o que um homem diz e o que Deus diz e é por isso que Pedro disse confiante: “A quem iremos Senhor, só tu tens palavras de vida eterna.”

Mas logo, tão logo Saulo apressou-se em dizer: “ Senhor, que queres que eu faça?” Este momento é crucial! Saulo conhece a voz do Cristo e neste instante já se coloca a sua disposição. Eu costumo dizer que quem se encontra com o Senhor muda de vida se ainda continua na mesma ou sempre caindo nos mesmo erros, ainda não escutou de fato a voz do Senhor. Quem escuta, quem tem experiência direta com Cristo logo se coloca a seu dispor e colocar-se ao dispor não é somente colocar-se a serviço mas entregar-se de coração. E foi isto que Saulo fez. Com esta atitude o Senhor diz: “Levante e entra na cidade e ai te será dito o que fazer.” A partir daí quem conduzia Saulo era Cristo.

Saulo ao abrir os olhos nada consegue enxergar, era preciso a Saulo a restauração de sua visão, de seus conhecimentos, de sua vida... Foi levado a Damasco pelos que o acompanhavam e passou três dias sem ver, sem comer nem beber. Eis sua purificação. Eu imagino aqui o quanto Saulo deve ter clamado e pedido perdão ao Senhor durante esses três dias, o quanto Cristo deve ter falo ao seu coração. Ananias foi enviado por Cristo para batizar Saulo que recobrou a visão e assim imediatamente começou a proclamar o nome de Jesus. Quando caiu ele era Saulo, quando levantou já era Paulo Apóstolo. O propagador do Evangelho.

Que grande testemunho nos dá a santa escritura, é preciso muitas vezes cairmos de nosso cavalo, seja ele qual for. Evangelizar exige de nós testemunho de fé, mudança de vida, de atitudes, de visão, exige renuncia de nós mesmos...

“ Porque virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustaram mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpri a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério. Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição.”

( II Timóteo 4, 3-8 )

Combatamos e guardemos a nossa fé!

(J.L.)

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