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Era assim na infância, quando muitas vezes expressavam que eu parecia não ter a idade que tinha, quando passava horas conversando atentamente com algumas pessoas mais velhas, sempre olhando nos olhos, dedicando o tempo preciso, mergulhando nas histórias e experiências que cada um trazia. Aprendi muito escutando as histórias de vida dos familiares, amigos e quem pudesse me dedicar um tiquinho de tempo. 

A realidade sempre me foi crua, ouvir ou viver situações duras e com isso poder estabelecer as nossas escolhas, no real, com alegria ou com a ausência dela para assim tornar nossa vida melhor. Talvez tenha sido isso, nos poucos abraços e nas poucas mãos estendidas que pude agarrar-me, que me fizeram compreender a preciosidade do Tempo, que não espera por ninguém e daí compreender que só tenho o agora, pra ser feliz, amanhã ninguém sabe não. E não é que seja eterno enquanto dure não, que me perdoe o poeta, a eternidade simplesmente permanece e o abraço sabe expressar e acolher isso muito bem. 

(J.L.)

 #TãoEu

Escrito em 19 de setembro de 2019




Recordo-me com veemência daqueles tempos de criança, onde formamos nossa personalidade naquela pequena cidade pacata, mas que nos ofereceu e propiciou grandes experiências.

Quando ainda os caminhos se cruzaram, amizades se formaram e tudo era um mundo ainda meio encantado, como toda criança pensa, sem muitas preocupações ou responsabilidades e é quando a lembrança toca, daquelas inocentes atitudes, quando partilhávamos confidencias num caderno respondendo inúmeras perguntas que passava pela mão de todos, das cartinhas carinhosas com letras caprichadas para expressar o estimo da amizade, as travessuras encobertas e brigas por ciúmes bobos, das paixões sem sentidos com suspiros e que ninguém podia dizer nada, dos estudos disputados para quem tirava melhor nota, dos recreios mais agitados e curtos.

Há tanto para se contar, quem fomos, quem nos tornamos, as essências que permanecem, história de uma vida, história das nossas vidas...

Sei que como eu muitos ainda relembram, valeu sim o que trouxemos, cada um segue sua vida construindo seus sonhos e como me sinto feliz de acompanhar tantas vitórias mesmo que por redes sociais.

Não tem como esquecer, existe muito de cada um em mim, estão aqui algumas lembranças que não me deixam mentir.


(J.L.)


Não lembro de muitas coisas da infância

Porém recordo com excelência de muitos ensinamentos

De meus avós, de meus pais, de meus mestres

Dos dizeres e ditados

Da catequese tão bem preparada

Quando logo acontecia problemas

E eu de longe observava

Pensava desde menina

Em como desfazer as laçadas

Assim dava ouvidos a todos querendo aprender

Ouvi grandes histórias, elas sempre me encantavam

Principalmente da vida de minha mãe

Tão sofrida e cheia de sonhos

Mulher batalhadora dirão aqueles que a escutarem

Soube fazer da vida uma vida

Aprendi com os amigos naquela terna idade

Foi com eles que aprendi sobre liberdade

Desde aquele tempo não exigia particularidades

Eu só queria ser amiga e que fossem amigos

Nunca quis pertences

Quem eu considerava minha melhor amiga

Não sei se tinha o mesmo sentimento

E mesmo assim era minha melhor amiga

Eu assim o sentia e recordo com a mesma intensidade

Amizades voltada pelo o que cada um tem em si

Enfim, foi daquelas bases

Que gerei meu alicerce

De menina , jovem, mulher

Ninguém usurpa princípios

Quem os aprende os põe em prática.

(J.L.)


Dedicado a Amiga Françoile Lopes.


Eu lembro de nós tão pequeninas

A idade mais terna e inocente de nossas vidas

Brincávamos, subíamos morros

Fui sua primeira amiga naquela cidade

Estudamos juntas, éramos confidentes

Daquele tipo de mandar cartinhas

Descrevendo ali o que sabíamos sobre amizade

Sobre nós, sobre o futuro

A distância nos separou por muito tempo

Mas sempre acreditei em nossos sentimentos

E nem distância nem tempo destrói o que se constrói bem

Estamos aqui como provas desta realidade

Ainda distantes, mas bem mais presentes na vida uma da outra

Agora é assim, nossa divisão de partilha

Por meio da tecnologia que nos reaproxima

Da amizade que não perece

Sua vida tão bem construída e corrida

Minha vida tão bem incerta e ainda por desbravar

E você tão sem tempo ainda com tempo para mim

Como na infância distante porém jamais sem esquecimento

Andei por muitos lugares e conheci muita gente

Mas eu sempre pegava aquelas cartinhas

Principalmente quando me decepcionava com alguém

Eu sempre as lia, davam-me forças para voltar a acreditar

Sempre fui assim, ligada ao simples, ao terno, às palavras...

Desde pequena que trago esta compreensão

De liberdade ao sentimento, àquilo que somos como pessoa

Sim amiga...

Foi nessa liberdade que aprendemos o valor de nossa Amizade.


(J.L.)