Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Vá vento
E leva na tua liberdade
As pequenas, minúsculas poeiras

Varre a vida
Como quem espera visita
Como quem se apronta para algo festejar

Leva contigo o inato
O improvável, a dúvida
Das furtivas e lânguidas amarguras

E deixa aqui apenas
Cá comigo o impulso
O som, o uivo do que se foi.

( J.L.)



Não adianta fingir que esquecemos alguma coisa
Porque a mente traz flashes indesejáveis
E o coração jamais esquece a quem amou um dia

Passem-se dias ou anos
Preencham-se de tudo que puder
Mas o espaço que foi ainda é

E essa vida tão corrida até faz esquecer
De mim, de ti, de tanto sofrer
E penso que assim pode ser melhor
Viver nos limites do cansaço

Porque se paro pensar em mim
Acabo pensando em ti
A lembrar o que ficou
O amor que amargurou.

( J. L.)




Quando dizem que certos amores se transformam em ódio eu acredito

Por causa daquele olhar doce que se transformou em amargura

Por causa daquele riso belo que se perdeu no silêncio

Por causa daquelas palavras simples que tornaram-se duras

Por causa daquele coração bonito que fechou-se para o infinito

Pobre menina!

Antes era amor, agora é ira.


(J.L.)