Uns dias atrás, depois que partilhei sobre meus sentimentos com um amigo, sobre, um dos piores momentos que passei, falei que em meu coração não existia mais nada. Não existia mais o respeito que deveria ter, não existia mais o amor, mas, também não existia a raiva nem a mágoa, porque ao longo dos anos que se passaram até isso tinha sido bloqueado em mim. Era como se nunca houvesse convivido com tal pessoa.
Perguntei ao meu amigo se ele achava que eu era uma pessoa má, porque por diversas vezes me fiz essa pergunta. Ele respondeu: “ Talvez hoje esse seja o seu melhor sentimento, se não existe mais amor, nem respeito e nem a mágoa. Talvez essa seja a sua maneira mais estranha de perdoar.”
E naquela conversa, em que ele me mostrava que se antes houvera um bom sentimento, ele estava ali, guardado, e quem sabe, algum dia eu volte a percebê-lo ou permiti-lo.
Depois dali, fiquei um pouco mais aliviada, não por ele ter me dito que talvez eu não fosse má, mas por me mostrar o quanto ainda posso ser boa. Eu ouvia o que ele dizia: “Continue a ser você, nesta sinceridade que te permite questionar a si mesma pelo grande desejo de aprender a ser melhor. E isso é bom, isso é muito bom.”
(J.L.)







