Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Uns dias atrás, depois que partilhei sobre meus sentimentos com um amigo, sobre, um dos piores momentos que passei, falei que em meu coração não existia mais nada. Não existia mais o respeito que deveria ter, não existia mais o amor, mas, também não existia a raiva nem a mágoa, porque ao longo dos anos que se passaram até isso tinha sido bloqueado em mim. Era como se nunca houvesse convivido com tal pessoa.

Perguntei ao meu amigo se ele achava que eu era uma pessoa má, porque por diversas vezes me fiz essa pergunta. Ele respondeu: “ Talvez hoje esse seja o seu melhor sentimento, se não existe mais amor, nem respeito e nem a mágoa. Talvez essa seja a sua maneira mais estranha de perdoar.”

E naquela conversa, em que ele me mostrava que se antes houvera um bom sentimento, ele estava ali, guardado, e quem sabe, algum dia eu volte a percebê-lo ou permiti-lo.

Depois dali, fiquei um pouco mais aliviada, não por ele ter me dito que talvez eu não fosse má, mas por me mostrar o quanto ainda posso ser boa. Eu ouvia o que ele dizia: “Continue a ser você, nesta sinceridade que te permite questionar a si mesma pelo grande desejo de aprender a ser melhor. E isso é bom, isso é muito bom.”


(J.L.)




“Quando pensamos precisar a vida nos convida a ajudar.”


Não sabendo o que fazer, com os sentidos atordoados

Com o coração despedaçado

Ela tomou aquela estrada

Só queria ir para longe

Onde ninguém percebesse suas lágrimas

Nem sua decepção

Foi em busca daquela amiga que poderia lhe acolher

Naquele ônibus chorava quieta

E aquelas horas de viagem lhe doía como nunca

A verdade é que ela não queria chegar a nenhum lugar

Se assim pudesse fazer

Naquela estrada viu um grande acidente

Um ônibus chocou-se em outro carro

Houve óbitos e muitos feridos

E nesse instante pensara sobre o que é viver

Uns querem morrer e outros morrem sem querer

Outros morrem em vida e era assim que se sentia

Chegando ao destino que seria refugio de suas dores

Com um abraço amigo foi recebida

Pensava poder confidenciar suas mágoas

E o que precisou fazer foi oferecer o seu ombro

Sua amiga passava por uma grande dificuldade

Ela teve de silenciar e escutar

Por estava ali e se não era para ser consolada nas suas necessidades

Ela se fazia necessária

Embora tivesse ido para ser socorrida teve de socorrer

A vida é assim nos leva a alguns lugares desconhecidos

Para ajudar quem nem imaginamos precisar

E ver que a dor que temos pode ser bem pouca

Diante da dor de quem não sabe gritar

Calou-se e aprendeu uma grande lição

Com aquela história que lhe foi narrada

Há amores que valem sim uma vida

E há “amores” que não valem nada.


( J.L.)