Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!



 

Sim, um dia já me decepcionei com a amizade, cheguei a tantos questionamentos, tantos porquês, tantas dúvidas... Fui infeliz, fui imatura, chorei por sentimentos feridos e lamentei tê-los. 

É tão difícil aceitar que muitas vezes as pessoas que você mais considera pode te ferir. E isso me levou a profundas reflexões. Sei que tudo chega no momento oportuno e que precisamos aprender a tirar a melhor lição, foi justamente aí que aprendi a grande questão de que não é importante ter um amigo, mas o que importa é ser um amigo. Compreender que o outro também é limitado como você, que pode errar, falhar, cair, caluniar... 

Que pode chegar um dia que o amigo não tá nem ai pra ti, porque encontrou outros amigos e a gente precisa ter a maturidade de poder aceitar que as pessoas não são nossas, não temos direitos de posse sobre ninguém. Esse foi meu melhor aprendizado. Confesso que a partir daí minha visão mudou muito e me permitiu ser mais livre com meus sentimentos.

Saber que considero alguém muito a ponto de chamá-lo de amigo, não quer dizer que seja preciso ser tão reciproco, mas ainda assim, meu gostar não muda, o sentimento é meu e eu preciso saber o que sinto na minha dimensão e que nunca se igualará à dimensão do outro, não existe amizade, nem amor trocado na mesma moeda, há sempre alguém que se dedica mais e esse dedicar não quer dizer que seja maior ou menor que o do outro, tem gente que pouco fala, mas muito faz e vice-versa.

É preciso mesmo deixar livre, deixar solto, deixar que as raízes procurem o solo que quiser e finquem por querer e deixar que se fortaleçam e que tudo começa em nós mesmo, exigir do outro todas as atenções que achamos que merecemos nunca é o caminho. Se existe uma direção, hoje eu acredito que é começando sempre em mim, isso é o que vai me permitir perdoar o outro quando ele errar. Quando nos achamos merecedores demais geralmente nada nos bastará, sempre fica faltando um jeito, um trejeito, sempre vai faltar algo porque o ego precisa de atenções. E acredite em mim, os bons e melhores sentimentos podem se sufocar com as cobranças. 

Hoje, sem dúvida, em vez de dizer que tenho amigos eu procuro ser amigo, sempre me disponho a ouvir, a estar perto e também a estar longe, às vezes é melhor está longe e apenas rezar, interceder, mesmo que o outro nem saiba. Amizade não sobrevive de grandes feitos, mas das pequenas coisas, pequenos gestos que crescem e fortalecem o respeito mútuo.

(J.L.)

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