Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!




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Era teu calor que me aquecia em noites como essa
Todo o frio era dissipado
Eram tuas mãos que acariciavam meu cabelo
Teus olhos que me olhavam na íris
Teu sorriso de canto que me deixava sem jeito

Foi você que me abraçou de um jeito único
Que me compreendeu em meus silêncios
E dava-me o que eu precisava
Muito mais do que eu queria

Eu fui feliz quando fui amada por ti
E é verdade quando dizem
Que o Amor é uma única vez
Nunca houve quem me fizesse sentir o mesmo

Jamais esquecerei de quem foi
As noites de chuvas continuam sendo nossas
Como também os dias de sol
Onde traçávamos sonhos que o tempo findou

O tempo que não tivemos a nosso favor
Que te tirou de mim e ainda não me ensinou a te esquecer
Ah, o tempo, que corre com essas lágrimas agora
Da única saudade que tenho.


(J.L.)



Precisava fazer parte da chuva
Deixar ali as lágrimas serem levadas
Sentir toda a frieza
Deixar a alma ser lavada

Pertencer a esta noite
Como se não houvesse mais nada
Só a dor escorrendo
Como cada gota derramada

Foi feita para mim esta tempestade
Essa estranheza dentro de mim
Ouvir os sons caindo
Sentindo cada pingo

É de sentir intensamente que dói
É de querer arrancar do coração
Que dentro estronda como trovão
Por fim resta eu, a chuva e a solidão...

(J.L.)


Vinte poemas de amor e uma canção desesperada


Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância
Gira o vento da noite pelo céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quis e por vezes ela também me quiz
Em noites como esta, apertei-a em meus braços
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
Ela me quis e as vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite
Pensar que não a tenho
Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E cai o verso na alma como orvalho no trigo
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
A distância alguém canta. A distância
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Para tê-la mais perto meu olhar a procura
Meu coração procura-a, ela não está comigo
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria !
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido
De outro. será de outro
Como antes de meus beijos
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é certo,
Porém talvez a queira
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido
Porque em noites como esta
Eu a apertei em meus braços,
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Mesmo que seja a última esta dor que me causa
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito. 

(Pablo Neruda)




É em noites como esta que a solidão toma conta
E ela nada mais é que ausência de você
De quando existia um pouco de felicidade em mim
E a chuva podia cair lá fora
Porque teus braços me acalentavam

Não existia frio
Não existia distancia
Não existia saudade
Eu bem pensei que existia amor

Mas se existisse essa noite não seria assim
Esse dia podia não ter sido ruim
Tudo podia estar diferente
E nós, talvez um nós...

Hoje já não me doi tanto
Eu aprendi a ser só
Porém o danado coração reclama
Por um tempo que houve o “só nós”.


(J.L.)