Deixo aqui um pouco de mim. Deixe-me um pouco de você!






Ainda que não o consideremos nosso melhor amigo
Ainda que não o tornemos nosso confidente
Ainda que não agradeçamos pelo que faz por nós
Ainda que não escutemos sua voz chamar
Ainda que o esqueçamos nas melhores horas
Ele não nos abandona!
Está aqui, quando nosso coração quiser enxerga-lo
Está aqui, disposto a nos abraçar e nos dá consolo
E este aqui é perene, disposto, atento.
É Amor paciente, que não se compara a nenhum outro alguém.


(J.L.)





Sim, eu falo pelos cotovelos e consigo silenciar de forma mais abrupta que puder, gosto do movimento, do barulho, como cultivo intensamente a calmaria, vivo os dois lados da moeda, as controvérsias da vida, já vivi infernos e experimentei de paraísos, digo as palavras “sempre” e “ nunca” mesmo sem compreender suas profundidades, sou intensa e preciso desses advérbios mesmo sabendo da limitação que somos.

Mas uma coisa é certa, não quero que ninguém engula minhas ideias de goela abaixo, não sou dona da razão, nem detenho todo o conhecimento, tenho minhas opiniões que nem sempre são agradáveis aos ouvidos e tão certo é também que gosto de ouvir os outros e tentar compreende-los em suas palavras.

Sou do tipo que dificilmente vai expor algo se não for questionada, do tipo que não vou a algum lugar sem ser convidada, do tipo que se convidarem e não me derem abertura vou entrar muda e sair calada, também não ando por ai reclamando da vida, vendo dificuldade em tudo, sou do tipo que acorda pela manhã e diz: Bom dia Vida e obrigada Senhor por este dia!

A gente vai aprendendo tanta coisa nessa vida e vai mudando, se ajustando, às vezes acho que fiquei mais cabeça dura, outras que estou mais maleável, em outras já acho que não sei mais é de nada, mas confesso, tenho sede de aprender, me descubro sempre assim, uma pessoa curiosa, como se a vida fosse começar agora...

Já vive tantos altos e baixos e fui descobrindo nas ações tensas da vida a superação, um sorriso após a lágrima, o perdão após a decepção, sofrer sem deixar de amar e continuar... Viver acreditando, no bem, no bom, no melhor que ainda pode acontecer. Se eu fosse um pintor teria telas de todas as cores, teria telas com todas as estações da vida e nesse exato momento eu estaria pintando algo em tons brancos e azuis claros, cintilantes, estou em uma fase que me sinto bem, tranquila, leve, sim, nessa tela teria certamente um pássaro, livre, buscando sempre o horizonte...

(J.L.)





Aprendi a viver só, no meu mundo
Sem culpas, mergulhada em mim
Mas também sem egoísmos
Fazendo o melhor que posso

Deixando pequenos sorrisos
Alguns abraços a quem desejar
Conselhos a quem me escutar
Não mais que isso, porque sempre tive pouco

Aprendi a cantar para mim
Chorar para mim
Amar para mim
E perdoar-me por meus silêncios

Felicidade foi encontrar meu próprio equilíbrio
De não ter ninguém apenas eu mesma
Para sanar minhas decepções
E seguir em frente sem olhar atrás.

(J.L.)





A lembrança era ouvir o som da chuva
Então podia suspirar e sentir o cheiro
Podia fechar os olhos e sentir o toque da mão
E entender cada olhar pelas palavras não ditas

É um passado que se faz presente
Querendo tal amor
Recordando os momentos perdidos
Os sentimentos sufocados

Como tem poder o chuá lá fora
Remexendo tudo dentro de mim
Instigando profundamente a memória
Revivendo o amor que marcou minha história.


(J.L.)



Hoje senti uma grande vontade
De estar envolvida no seu abraço
De querer tocar seus lábios
Ouvir teu coração bater

Senti vontade de acariciar teu rosto
Deixar minhas mãos deslizarem em teus cabelos
Fechar os olhos e sentir teu cheiro
Abrir os olhos e encontrar-me nos teus

Senti vontade de estar pertinho mesmo
Encostando a cabeça em teu colo
Sentindo a respiração no peito
A maciez da tua pele

Senti tanta vontade de você
Da docilidade que esconde
Mas sou somente assim
Vontade que não se confessa.

(J.L.)




Nunca acreditei na tormenta
Sempre acreditei na paz do sentimento
No acolhimento terno
Na liberdade que se pode dar a quem se ama

Não temos ninguém para a gente
E nada pode garantir eternidade
A não ser a certeza de que pode mudar
E mesmo assim ainda continuar amando

Porque se verdadeiro não muda
Pode passar por fases
Como as estações
Nem tudo é primavera!

Aquela loucura cega nunca me pegou
Jamais me iludi com promessas
Só posso garantir os meus sentimentos
Não tenho domínio sobre outros

Sonhos se desfizeram em meus olhos
O amado escorregou pelas minhas mãos
Mas nada me pertence
A não ser o amor que em mim floresceu...

(J.L.)





Ela era a menina das palavras
Escritas e faladas
Ela tecia como ninguém as interpretações
De tão minuciosa que era

As palavras faziam-lhe cocegas
Tiravam seus risos
As palavras lhes eram como punhais
Atravessavam o coração

As palavras não se perdiam
Tudo o que era dito era guardado
Seu pensamento remoía
E mergulhava nos sentidos

As palavras nem sempre era o que eram
Ela sabia que o tempo fez perder seu valor
Por isso nunca falava sem sentir
E nunca sentia sem falar ou escrever.


(J.L.)





Era apenas um pássaro
Nunca foi um rouxinol ou sabiá
Só sabia cantarolar
Gostava do que cantava

Vivia a vida em tons legais
Nem sempre seu som agradava
Mas seu peito era leve
Seu coração se ofertava em cada canto

Em dias ensolarados cantava
Em dias de chuva cantava
Em todas as estações cantava
Ou ao menos tentava

Um dia feriu a garganta
Travou seus sons
E não mais sendo o que era
Tinha apenas a liberdade de voar...


(J.L.)



As pessoas não veem
Mas elas te roubam sonhos
Te roubam esperanças
Te roubam coisas boas que gostava de fazer

As pessoas não veem
Mas se fazem de bom
Fingem uma saudade
Fingem uma conversa

As pessoas não veem
Mas vivem em seus egoísmos
Nas suas verdades
Cada um no seu mundo

As pessoas não veem
Mas se destroem
E destroem os outros
Pelo simples fato
De não saberem quem são.

(J.L.)


Vinte poemas de amor e uma canção desesperada


Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
A noite está fria e tiritam, azuis, os astros à distância
Gira o vento da noite pelo céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quis e por vezes ela também me quiz
Em noites como esta, apertei-a em meus braços
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
Ela me quis e as vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos ?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite
Pensar que não a tenho
Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E cai o verso na alma como orvalho no trigo
Que importa se não pode o meu amor guardá-la ?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
A distância alguém canta. A distância
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Para tê-la mais perto meu olhar a procura
Meu coração procura-a, ela não está comigo
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria !
A minha voz no vento ia tocar-lhe o ouvido
De outro. será de outro
Como antes de meus beijos
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é certo,
Porém talvez a queira
Ah ! é tão curto o amor, tão demorado o olvido
Porque em noites como esta
Eu a apertei em meus braços,
Minha alma se exaspera por havê-la perdido
Mesmo que seja a última esta dor que me causa
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito. 

(Pablo Neruda)




Eram nossos olhos
Nossos risos bobos
As conversar à toa

Eram os acasos ou não
As intensões ou não
O querer que tínhamos

Eram os desejos
A vontade
O toque das mãos

Era o que não definimos
Só o que sentimos
Quando os lábios se encontravam.

(J.L.)


Pensei que não havia mais saudade
Ou ao menos que já tivesse vencido a tal da nostalgia
E de repente, me pego traindo a mim mesma
Nas coisas que não queria sentir
Nas lembranças que não queria lembrar
Será isso mesmo uma saudade?!
Pergunto-me entre lágrimas
E ao mesmo tempo num riso bobo
Lembrando de momentos tão bons
Misturado com ruins
Que coisa estranha!
E me senti levada de mim em pensamentos
Soltos, diversos, intensos
Se estava no controle hoje saiu correndo
E simplesmente me deixou tão quieta
Com um vazio de quem sabe
Que nada pode fazer voltar.


(J.L.)


As muitas lutas travadas ainda que não vencidas fazem-me mais experiente, trazendo tantas lições, algumas boas, outras ruins de aprender, porém necessárias. Ao longo da vida, tantos altos e baixos, superações, decisões e discernimentos, erros e acertos, fizeram-me mais firme.

A vida pode parecer ter sido fácil quando se olha meus risos, mas até isso tive que aprender, o que trazemos intimamente poucas pessoas conseguem ver.Quando às vezes se perde as esperanças, quando se perde a confiança, quando definha sentimentos bons, quando você se encontra só, quando não há com quem contar, desabafar... Quando ninguém pode ver tuas lágrimas, quando necessita de compreensão, um abraço amigo, algum afeto recluso e impedido...

As pessoas teorizam tantas coisas a respeito das outras mas nem sempre querem saber como realmente estão. Eu aprendi tanto comigo mesma, questionando minhas atitudes, interrogando meus jeitos e trejeitos como aprendi olhando para outros e tentando entender porque agem como agem e são como são e sempre acreditei que podemos mudar e nos aprimorarmos como seres “humanos”. Humanos de verdade. Eu mesma mudei tantas vezes e certamente eu podia ser alguém muito pior.


Sei que não sou a melhor pessoa, sei que sobrevivi a tantas tormentas e continuo navegando nesse mar da vida, fácil não é, mas aprendi que podemos ser mais leves e nada melhor do que contribuirmos conosco mesmo e com os outros facilitando as coisas. Não precisamos complicar tanto, que a dor e a alegria sejam sentidas no seu devido tempo, que os sonhos e projetos sejam perseguidos e incentivados, que a nossa mão esteja sempre estendida para ajudar ou receber ajuda.

 Das tantas vezes que caí encontrei uma estendida e não hesitei em segurá-la e nem sempre é o seu melhor amigo não, às vezes é até um desconhecido, uma pessoa que considerávamos “chata” ou sem afinidade alguma, uma pessoa cheia de problemas também, alguém que a vida deseja que percebamos e descubramos que não há perfeição e todos vivem numa batalha ferrenha que nem a gente, alguém que nos trouxe a palavra certa, a conversa necessária, o ânimo preciso para entendermos o momento que passamos.


Do que precisamos? De olhos atentos porque a vida tá sempre ensinando, tudo pode acontecer de bom ou de ruim porque o único script que ela tem é nascer e morrer e o intervalo entre esses é a nossa batalha, é a misteriosa luta  que travamos, a de aprender a viver, cair, superar e continuar aprendendo... é a nossa história. 
E lembre-se, um guerreiro luta até o fim e faz história!


(J.L.)




É como abrir a porta e deparar-se num mundo estranho
Onde não se conhece ninguém
E não sabe porque está ali
Nem se algo faz sentido

Você fica querendo se adaptar
Mas nada se encaixa
Você não sabe se o lugar é diferente
Ou é você que não é coerente

Quantas dimensões criamos?
Quantas expectativas fazemos?
Quantos sonhos enfeitamos?
Quantas verdades abafamos?

Quando a realidade se mostra
Quando se vê claramente
Quando a mente se abre
Muitas coisas desmoronam

Os castelos imaginários
Os muros que defendiam
Até as pontes que ligavam
Ao amor que pensou ter existido.


(J.L.)



Nasceu de nosso silencio talvez
Do olhar primeiro
Daquele jeito sem explicação
Quando simplesmente acelera o coração

Dos risos fáceis
Das brincadeiras bobas
Dos jeitos sem jeito de falar
Não tem como a gente explicar

Nasceu do beijo desejado
Do risco calculado
Do desejo aprisionado
Da admiração observada

Dos minutos pouco aproveitados
Das noites sonhadas
Dos medos da recusa
E da vontade da coragem

Morreu, minuciosamente
Pelas mãos do Tempo incoerente
Das almas que se encontraram
Em um dia errado.



(J.L.)


Às vezes é só deixar o vento levar
Não é questão de lamentar
De se maldizer
E fechar as portas

Apegar-se ao que não é
Ao que nunca pode ser
Viver esperanças vagas
Sentir o peito doer

Às vezes é só fechar os olhos
E repetir para si mesmo
Não, não, não
Chega dessa ilusão

Seguir em frente
Olhar o caminho
Tem muita coisa bonita
Não precisa viver cegamente

Se é amor ou paixão ardente
Já chega de se perguntar
Liberta o coração
E ver com a razão

Às vezes é só deixar para lá
Como folhas de outono que secam
Como areia que muda de lugar
Quando se cansa esperar.


(J.L.)



Não importe-se com o que falam sobre você
Limite-se a conhecer a si mesmo, seus limites, seus sonhos, seus risos, suas lágrimas, seus desafetos, suas esperanças...
Importe-se com o que traz de bonito, corrija os erros na medida que fores aprendendo, caminhe, não pare, siga...
Seja você, com erros ou acertos, mas disposto a superar, melhorar, evoluir...
Não permita inquietar-se pelas conjecturas que fazem sobre ti, somos bem mais do que pensam de nós e podemos chegar onde pensam que não chegaremos.
Que a vontade de lutar e de chegar às nossas aspirações não sejam para provar nada a ninguém, mas pela consciência plena e pacífica de quem sabe quem se é e o que se quer.



(J.L.)